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31 outubro 2011

O silêncio é de ouro...

Imagem: Arquivo Pessoal

Oportunidades demais para falar,
Mas nada importante sendo dito:
Apenas ecos do vazio
No vazio.

Será a incomunicabilidade um determinante para a inspiração?
Será melhor o silêncio refletido,
O cultivo paciente de palavras-germes?

Desconectar
Expressar o válido
O autêntico

Nem tudo precisa ser dito
(Quanta liberdade!)

29 agosto 2010

A vida secreta das palavras

La Vida Secreta de las Palabras. Isabel Coixet, Espanha (2005).

Estou encantada com a delicadeza com que a diretora de "A vida secreta das palavras" aborda temas tão fortes como o sofrimento de alguém que foi marcado - de diversas formas - pela guerra.
O filme é de uma beleza impressionante, não tanto pelas imagens, mas pelas relações estabelecidas entre os personagens e dos personagens com as próprias vidas. Difícil descrever - difícil colocar em palavras!
O interessante é que ontem eu havia dado uma aula sobre Estresse Pós-Traumático a uma turma de pós-graduação. É um tema tão pesado, tão delicado, e sinto que não conseguimos - nem eu nem os alunos, que pareciam cansados e impacientes para aquela aula de sábado à tarde terminar - entrar em contato com o sofrimento que envolve uma pessoa que passou por um evento traumático e que sofre com as revivências ao longo da vida. Um terapeuta que não consegue ter a dimensão do sofrimento de seu cliente não consegue ajudá-lo, por melhores que sejam suas técnicas. E foi isso que fizemos ontem: exposição de técnicas.
Vim pela estrada com esse incômodo, o de não ter tratado do tema com a sensibilidade que ele requer, e me deparo à noite com "A vida secreta das palavras", abrindo meus olhos e ouvidos, de novo, para o sofrimento e as estratégias dos personagens para lidar com ele.
Excelente filme para refletir e discutir sobre trauma, esquiva experiencial, a importância da fala, de vínculos. Excelente filme para se aproximar do sofrimento do outro.
Comentários interessantes sobre o filme neste site.
Vale notar que a diretora Isabel Coixet foi também quem dirigiu "Minha vida sem mim" (2003), lindíssimo, tão sofrido e belo quanto "A vida secreta..."

22 julho 2009

Viva la vida!

A distância do mundo virtual se justifica pela imersão no mundo real...
Fui ser feliz e já volto!

19 junho 2009

Convite à realidade



"Caríssimo prefeito Márcio Lacerda,
É com muita honra que eu, cidadã de Belo Horizonte, o convido para jantar em minha casa. Estou providenciando cardápio especial, digno de um prefeito tão bem votado, depositário da confiança e da esperança de milhares de cidadãos belorizontinos (inclusive a minha).
O jantar será na próxima sexta-feira, às 19h. Traga também nosso governador e, quem sabe, futuro presidente, Aécio Neves. Será um prazer recebe-los aqui!
Há apenas um pequeno inconveniente... moro no bairro Planalto, zona norte. Para chegar até aqui vocês provavelmente enfrentarão um de nossos costumeiros engarrafamentos de 2 horas... 1 hora e meia, se vocês derem sorte!
Hoje mesmo foi ótimo! Fiquei duas horas dentro do ônibus (porque consegui pegar um ônibus que não passasse pelo centro inteiro, senão seria ainda mais tempo)! Nesse tempo consegui corrigir quase todas as minhas provas, além de ter ouvido muitas músicas bacanas, tanto no mp3 como no rádio! Pena não ter conseguido ler o livro que tinha na bolsa. Mas não há problema, pois li alguns capítulos desse livro no engarrafamento de ontem.
Sugiro então que vocês coloquem uns cds legais no carro oficial, aproveitem pra colocar a agenda em dia e fazer muitas articulações políticas. Pode ser uma boa idéia bater uma foto do trânsito, do celular mesmo, e enviar pro celular do Lula!
Os aguardo com muita expectativa! Pode deixar que se vocês demorarem muito coloco um pratinho no microondas pra vocês comerem quando chegarem, tá?
Respeitosamente,
Vivi
PS: Vejam essa matéria que foi veiculada na tv outro dia... Pode ajuda-los a entender o que estou falando...

Imagem: Saber Web

29 janeiro 2009

"Minhas férias"



Férias. Ou quarentena. Ou resguardo. Esses quarenta dias em que estive afastada do trabalho (acabei de me dar conta da quantidade e do que ela geralmente significa) me descansaram, me curaram, deixaram-me pronta para o que vem por aí.

Foram muitos encontros importantes!

O encontro com o ócio, querido, sem culpa. Dormir até mais tarde, assistir a altas besteiras na tv até não aguentar mais de sono, ler ainda um pouco antes de desmontar na cama.

O encontro com o sabor. Apreciei comidas deliciosas, sem me deixar destruir, usufruindo apenas do que elas poderiam me oferecer de positivo.

O encontro com a gargalhada. Ai, que divertido brincar como criança, rir até a barriga doer, rir de coisas simples e bobas!

O encontro com o sol e com o mar. Estar com o sol sem desejar fugir dele, estar entregue, em meio ao casamento perfeito de seu calor com a refrescância e energia das águas salgadas que custo tanto a sentir.

O encontro com o inusitado, com o mal estar, com o alerta do corpo. Aceitar o que vem, não me rebelar. Foram consequências - farei diferente da próxima vez.

O encontro com a amizade. Em longas jornadas - a pé junto à lagoa, de carro rumo ao mar, no espaço intangível mas presente da internet - aprofundando a relação, tornando-a fecunda e mais clara.

O encontro com uma história compartilhada, suas raízes, pedras, santos, talentos, atrocidades, douradas ambições, conhecimentos populares, cheiros, sabores, pernas doces, pés de moleque.

O encontro com o desejo pelo conhecimento inútil, mas não fútil ou banal. Descobrir coisas belas e suas histórias pelo simples prazer que isso proporciona, pelo reconhecimento da minha enorme limitação e pelo embevecimento ao identificar a suprema arte do outro.

O encontro com o amor. O mais belo encontro, porque de novo, porque sempre, porque real quando já quase era ponto. Porque nunca houve reticências tão concretas, porque tudo o mais veio também.

O encontro com o medo. Ele frequentemente vem. Mas o que ele não sabe é que aprendi que ele vem, inevitavelmente, e que nem por isso vou fugir ou desistir dos outros encontros. Ao contrário, o convido para vir comigo - sem medo sou um perigo!

O encontro com a paz. Uma paz forte (mas não indestrutível, ou seria estagnação), capaz de silenciar o medo em vários momentos, capaz de silenciar meus pensamentos, pausar meus sonhos, abir meus olhos para o que logo passa, para o que não será, simplesmente é.
Imagem: arquivo pessoal, impossível deletar ou copiar...

20 novembro 2008

Outras veredas


Muitas leituras essa semana. Literatura técnica, muitos trabalhos de alunos (e estão muito bons!!!), um pouquinho de filosofia - tema para outro post.
Um dos aspectos enriquecedores do trabalho numa instituição de ensino é o contato com pessoas que pensam diferente da gente. E a beleza reside nas semelhanças que podem ser identificadas a partir daí.
Por conta do projeto multidisciplinar, que acontece todos os semestres do primeiro ao sétimo períodos do curso em que leciono, preciso ler coisas que não lia há muito tempo e que possivelmente não leria se não houvesse essa condição.
Tem sido muito bom. Estou descobrindo que com o tempo estou ficando mais aberta a outras idéias, a compreender as outras abordagens, sem aquele furor acusatório típico de acadêmicos apaixonados pela abordagem que escolheram. (Essa minha postura não é à toa: venho de uma instituição onde os iguais se degladiam... imaginem como são as relações entre os diferentes!)
Minha prática tem melhorado, meus horizontes têm se expandido. E isso não implica deixar a minha abordagem nem discordar de suas explicações; apenas estou somando!
Encontrei essa citação outro dia, que mexeu comigo e na qual ainda estou pensando, sem ter nada muito concreto ou sistematizado a ponto de comentar:

"As necessidades fundamentais ao desenvolvimento do homem no sentido de alcançar a plenitude da condição humana são: o pensar, o agir, o imaginar e o amar". (Heller, em Sawaia, 1995, p.162)*

Quem diria que um dia eu iria me permitir pensar a partir de uma idéia da psicologia social? É por isso que eu acredito na mudança!

*Sawaia, B. B. (1995). Dimensão ético-afetiva do adoecer da classe trabalhadora. Em: S. T. M. Lane & B. B. Sawaia (orgs.) Novas veredas da psicologia social. São Paulo: Brasiliense/EDUC. pp 157-168.
Imagem: Deste blog

25 agosto 2008

Univers(al)idade?



Mais uma vez com raiva, mas desta vez resolvi protestar um pouco mais adiante, além das paredes da minha casa!

Fui à UFMG hoje, universidade da qual sou ex-aluna, consultar umas obras na biblioteca. Qual não foi minha surpresa quando os funcionários se negaram a me emprestar a dissertação (que tinha o que eu precisava para o exercício da profissão para a qual me preparei - lá) até mesmo na modalidade de empréstimo rápido - por algumas horas.

Isso me revolta! Quando questionei com a bibliotecária a função de disseminação de conhecimento (que eu julgava ser própria da universidade e, mais ainda, da biblioteca), ela me responde com a cara mais lavada: "o conhecimento é disseminado, mas entre o nosso público".

Então meus pais passam a vida pagando impostos, eu pago impostos, eu estudei na universidade e agora simplesmente não sou mais "o público" da universidade! Não tenho acesso ao conhecimento que eles guardam lá.

É o conhecimento privatizado, não tornado público, como deveria ser.

Daí eu pergunto: isso não é absolutamente contrário e impeditivo à prática do estudo constante, do aprimoramento do profissional, de tudo aquilo que a universidade deveria prezar e propiciar???

E aí, o profissional deve emburrecer só porque saiu da universidade? Devemos estar constantemente vinculados a uma universidade para ter acesso ao conhecimento que ela produz? E como? Tem vaga pra todo mundo na universidade? Eu vou ter que fazer um doutorado ou um outro curso superior - e custar mais aos cofres públicos - para ter acesso às obras que a universidade "guarda" tão bem?

O que há de universal aí? De agregador das diversidades?

Não consigo classificar essa política. Segregadora, elitista, emburrecedora, mantenedora de uma ordem social perversa.

Imagem: Flickr

03 agosto 2008

De volta à vida real


Vamos lá!
Vale contar até três, fazer o sinal da cruz e até dar um grito, como quando a gente faz antes de pular na água gelada! No início dói, depois fica gostoso e a gente até chama outras pessoas pra pular também...

"Vem que tá uma delícia!"

Imagem: Flickr

17 junho 2008

Lá ou aqui-e-agora




Costumo dizer, desde os tempos da graduação, e agora em sala de aula com meus alunos, que a escolha por uma abordagem da Psicologia - dentre as diversas existentes - passa diretamente pelas questões pessoais do futuro psicólogo. As abordagens, entendo eu, são como óculos que a pessoa vai experimentando. Vejamos o que aconteceu comigo:

Coloquei um par - o da Psicanálise - e olhei em volta. Interessante, mas ainda continuo com minha visão turva, um tanto entortada pelos novos óculos.

Coloquei outro - o da Psicologia Analítica de Jung - olhei de novo. Hum... ainda não.

Mais um - o da Sistêmica. Um pouco mais próximo de uma visão confortável, mas ainda trazendo explicações que não me convenciam muito bem.

Finalmente coloquei o par da Análise do Comportamento. Bingo! Visão perfeita, nítida, cores brilhantes, formas bem delimitadas, campo de visão ampliado. Escolhi meus óculos.

Devo dizer que eles me servem até hoje, continuam explicando minhas inquietações (e trazendo outras, o que me faz viva academicamente). Meus óculos fazem mais brilhantes meus olhos!

No entanto tenho vivenciado situações e interações que me fazem pensar que eu devia ter experimentado os óculos da Fenomenologia, que passaram muito rapidamente por mim, atrapalhados por uma péssima professora (vendedores têm o delicado poder de embelezar ou enfeiar os produtos que apresentam).

A Análise do Comportamento me dá a possibilidade de prever. Não conseguiria viver sem isso. "Sou uma pessoa do futuro", vivo dizendo. A AC me permite viver o futuro agora, mesmo que com alguma margem de erro, própria do determinismo probabilístico. Em muitas situações essa possibilidade me faz muito bem.

No entanto, a vivência do aqui-e-agora fica negligenciada com tamanha preocupação (pré-ocupação). Venho percebendo isso nos últimos anos (três, acho) e bastante claramente agora. Ocupada com o futuro, deixo de contatar as contingências atuais, de me expor aos reforçadores que estão disponíveis agora.

Uma longa história de autocontrole! Geralmente, no meu caso, a vivência de situações que produzem reforçadores imediatos é acompanhada por sentimentos de culpa e vergonha. Daí vivi me esquivando desses sentimentos agindo, na maior parte das vezes, com bastante cautela, analisando cada possibilidade.

Devo dizer aqui, com muito orgulho de mim e da minha mudança, que aos pouquinhos estou conseguindo agir sem pensar muito no que vai ser daqui a cinco minutos, cinco dias ou cinco anos. Agir e sentir, é o que tenho tentado.

É bom!...

23 maio 2008

27 abril 2008

Aff!


Linha tênue essa que separa a solidão do bem-estar-só.

Este fim de semana precisei ficar em Montes Claros. Em poucos momentos na vida me senti tão só como nos últimos dois dias. Cansei de ficar em casa e fui caçar coisas pra fazer na rua.

No entanto me senti completamente deslocada numa cidade estranha que não dispõe de recursos para pessoas solitárias passarem bem seu tempo. Ou se dispõe, ainda não descobri. Diferente de São Paulo, Belo Horizonte ou Belém, onde pessoas sozinhas têm acesso a cultura, entretenimento, lazer, Montes Claros não tem nenhuma boa livraria, o shopping é ínfimo (pode-se percorrer toda a sua extensão em meia hora), não há um café num lugar charmoso... Aff!

Fiquei muito decepcionada com a cidade! Morri de saudade da baía do Guajará, da praça do Papa ou da Liberdade, parque do Ibirapuera... da livraria da Visão, do Café com Letras, da Livraria Cultura... Das mil opções de cinema...

Acabei indo ao cinema aqui em Montes Claros na sexta-feira. Duas horas de salvação. Assisti ao Caçador de Pipas. Me senti mais só ainda! Hahahaha! Que saudade das minhas amigas!!!

Não sei se vou conseguiu adotar MOC como minha cidade. Corro o risco de acabar me envolvendo com alguém daqui para amenizar a solidão, e eu não quero mais um relacionamento com essa função.
Estou reclamona, eu sei. As meninas da faculdade foram super gentis em me chamar pra sair ontem à noite. E foi legal! Graças a Deus... Me salvaram da deprê...

19 abril 2008

Errata

Só pra constar: o meu canto não é exatamente meu. É alugado! Ainda não chegou a hora de comprar um cantinho... até porque, cigana como sou, não saberia onde comprar!
Agradeço muito a alegria dos amigos! ;)

23 fevereiro 2008

Vida nova. De novo!



Ô vida cigana, essa minha!

Quando tudo parece acertado, estável, calmo, algo acontece (ou eu "aconteço" algo) que vira tudo de cabeça pra baixo de novo. 180 graus! Começo a achar que sou mesmo arientina, aquela que não suporta rotinas, que precisa da conquista, do pioneirismo!

Voltei a viver na estrada, a dormir num colchão no chão e a ter malas abertas no quarto, prontas para uma viagem a qualquer momento. Estou morando em Montes Claros. Quer dizer, só uma parte da semana! Nos outros dias volto para BH.

Uma nova cidade, novas pessoas, um novo papel: o de professora num curso de psicologia.

Gosto desse desafio. Melhor: gosto de desafios. Neste, terei que me aprimorar na teoria da Análise do Comportamento e na arte de dar aulas, de instigar a reflexão e promover a construção do conhecimento. É uma enorme responsabilidade participar na formação de novos psicólogos!

Que bom ter passado por tudo o que passei nos últimos anos! Eles me tornaram mais gente, mais profissional, mais Vívian.

E que venham as novas experiências, as novas aprendizagens, os novos apertos, os novos sabores e dissabores que tudo o que é novo proporciona!

02 dezembro 2007

Inseridas fora do lugar




Outro dia me deparei com uma imagem curiosa: uma parreira em plena rua Vanderlei, no bairro de Perdizes, São Paulo.

No charmoso bairro da maior cidade da América Latina, bravas uvas - verdes, novas, lindas - sobreviviam tal como se estivessem num parreiral em Toscana. Próximas ao ponto de táxi, observavam serenas a agitação de paulistanos e forasteiros num sábado que deveria ser tranqüilo.

Certamente se assustaram com o clique da pretensa câmera e com o sorriso de quem encontrou um tesouro, um elemento bucólico na cidade-formigueiro.

Belas uvas! Que lhes seja dada a oportunidade de amadurecer antes de serem exterminadas pelas frenéticas formigas cortadeiras!

29 novembro 2007

Luxo





Tive acesso na última semana a duas matérias sobre o luxo. Uma, na revista Vida Simples. Outra, na revista Season.

A Vida Simples é uma revista da editora Abril, que tem o propósito bem esclarecido pelo título. Suas matérias falam sobre bem estar, relacionamentos, coisas boas (e simples) da vida. A minha cara (quem me conhece, sabe)!

A Season é uma revista bonita, editada pela Voice Design (acabo de descobrir), e aparentemente bancada pelos shoppings chiques de Belo Horizonte. Todos aqueles nos quais entro uma vez por ano - no máximo.

Imagino que vocês já consigam imaginar o foco de cada matéria sobre o assunto Luxo, não é?

Enquanto na Vida Simples o luxo é caracterizado como algo único, exclusivo - e isso definitivamente não precisa envolver cifras - na Season as sensações e os momentos únicos só são cogitados como "artigos de luxo" na última frase do texto... No restante, só se fala sobre carros milionários, relógios caríssimos, jóias, mansões...

Aff!

Percebo em todos os aspectos da minha vida a necessidade de ter luxos simples. Porque eles envolvem sensações - e sensações, apesar de fugazes, não são perecíveis; porque são possíveis em qualquer circunstância ou situação financeira; porque seus efeitos são amplos; porque preciso aprender para então ensinar aos meus clientes; porque é mais coerente com o tipo de vida que gosto de levar e com as coisas nas quais acredito (desde abordagem psicológica até religiosidade).

De vez em quando me permito alguns luxos, por exemplo:

  • Ficar um pouco mais na cama, só pra fazer carinho na Nina
  • Brincar de mamãe e filhinha com a Clara
  • Comprar um livro novo, sentir seu cheiro, apreciar suas letras, ilustrações
  • Comer damascos secos, ou melancia com mel
  • Fazer spinning
  • Dormir no domingo à tarde
  • Ver minha amiga toda semana, mesmo muito cansada e precisando estudar, ou meus amigos de vez em quando
  • Fazer as unhas no salão, curtindo a sensação de ser cuidada
  • Alugar um filme bem meloso
  • Ir ao cinema sozinha!!!
  • Tomar uma cerveja bem gelada
  • Ir a uma exposição de arte, ou museu
  • Ver e fotografar flores
  • Blogar
  • Receber cafuné da minha mãe

E aí? Quais são os seus luxos?

12 novembro 2007

Vinícius



Passeando pela net, de blog em blog, site em site, comecei a pensar em minha paixão pelas palavras e em como gostaria de aprimorar minha escrita. Uma oficina, quem sabe?
Encontrei o site Escritório de Histórias, que traz uns links interessantes. Um deles é o link para o site de Vinícius de Moraes, que apresenta toda a obra do poetinha e ainda nos dá a possibilidade de criar nossas próprias antologias de sua obra!
Lembrei que há alguns anos (três?), ainda lá em Belém e postando no Caçador de Mim (meu antigo blog), descobri e comentei sobre esse site do Vinícius. Resolvi tentar um possível login e senha...
Encontrei minha antologia!!! Nela, vários poemas lindos. Um em especial, que resolvo (re)postar aqui, por tudo o que significa agora em minha vida.

Deleitem-se, como eu!


Antiode à tristeza

Ó enfermeira sem som do olhar sem cor
Que refletida ao último infinito
Pela lúcida insânia dos espelhos
Passeias pelo imenso corredor
Desta antiga Irmandade! Ó sonolenta
Irmã-sem-Caridade, que vagueias
Com tuas leves sandálias de silêncio
Cuidando com desvelo da saudade
E dos males de amor de cada enfermo!
Ó guardiã do ermo, provedora
De langor, que pelo imenso corredor
Deste hospital sem termo, te comprazes
Em deitar éter sobre o sofrimento
Dos que querem viver, e dar morfina
Aos que morrem de amor! Ó freira louca
Irmã-sem-Fé, a desfiar, ausente
Teu rosário sem fim de contas ocas!
Ó trânsfuga da vida, esmaecida
Monja: o que queres mais de mim?
Já não te dei meus dias, minhas noites
E até minhas auroras, não te dei?
Já te mandei embora? Não fui sempre
Teu melhor paciente, e o mais antigo?
Não fui amigo teu, mesmo doente
De ti, não fui, Madre desoladora?
Pois agora te digo: vai-te embora!
Afasta-te de mim! não mais te quero
Irmã-sem-Esperança, confessora
Sem perdão, de quem mais nada espero
Senão vazio e angústia. Irmã-sem-Dor
Com teu rosário e teu burel de cinzas
A empoeirar de tédio as minhas horas.
Vai predicar além, predicadora
Da voz ausente, vai! que se me voltas
Eu grito nomes feios, eu te espanco
Ou te enforco em teu terço de mil voltas
Ou caio na risada, ou te exorcizo
Com um gigantesco crucifixo branco
Onde, transverberando luz do flanco
Resplende o corpo nu da minha amada!

in "Para viver um grande amor (crônicas e poemas)"in "Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu" "

07 novembro 2007

Arrumação



"Eu ontem joguei tanta coisa fora!
Vi o meu passado passar por mim..." (Herbert Vianna)

Ontem arrumei minhas gavetas. Organizei minhas contas, meus documentos, coloquei cada coisa em seu devido lugar: numa gaveta, objetos que me protegem e fazem bem (remédios, terços, patuás, a carteirinha da academia que não freqüento); na do meio, coisas que me fazem bela (maquiagem, material de manicure, espelho); na da direita, coisas que me ajudam a produzir (canetas, lápis, apontador, cds de dados, clipes, bloquinhos, adesivos e meu carimbo de sapinho). Nas gavetas maiores, trabalho x diversão: de um lado textos técnicos, do outro revista Cláudia e Boa Forma.

Nas gavetas abaixo da cama coloquei a pasta de documentos, finalmente organizada. Joguei fora papéis velhos, inúteis, caixas que amontoavam meu guarda-roupa.

Coloquei minhas bijuterias em caixas maiores e mais bonitas, meus badulaques de cabelo numa caixinha especial que ainda vou decorar com minhas colagens e pinturas (não sei quando!).

Interessante observar como eu guardava coisas que absolutamente não me servem, e que estavam lá simplesmente porque eu nunca havia decidido jogá-las fora. Por outro lado, alguns objetos ainda têm sua função, e não vão ser dispensados tão cedo...

Quem entra no meu quarto quase não vê diferença. Por fora ele é o mesmo. Inclusive ainda há bagunça em cima da mesa. Feliz ou infelizmente, ainda não tenho espaço suficiente para guardar meus livros sem que o quarto fique bagunçado.

No entanto por dentro há uma sensível diferença.

Sempre ouvi dizer que organizar os objetos é uma boa oportunidade para organizar a própria vida. E sei que estava protelando essa organização (ou essas) há um bom tempo. Desfazer de energias acumuladas, desatravancar a vida, separar o joio do trigo, o que fica e o que vai, determinar como fica o que fica.

Momento interessante este, da minha vida...

02 agosto 2007

Carpinejar


Consegui a cooperação do meu celular! Olha aí a foto que eu tirei com o Carpinejar no dia do Sempre Um Papo!

18 julho 2007

Prosa poética




Ontem proporcionei a mim mesma um carinho: saí do trabalho e fui para o Palácio das Artes, assistir ao Carpinejar no Sempre um Papo! Desde a semana passada ouvi o rádio o anúncio sobre a presença do meu poeta-amigo em Belo Horizonte - e de graça!!! E então prometi a mim mesma: eu vou!

Foi um ótimo programa. Ouvir o Carpinejar recitando seus poemas, dando ainda mais vida às suas palavras já cheias de emoção, de sentimentos, de força, de leveza! Ver o poeta, o artista, mais uma vez expondo sua vida pessoal, seu cotidiano, de uma maneira absolutamente autêntica e poética, muito diferente daqueles artistas que abrem seus mega-apartamentos para a Caras, tão artificiais, tão controlados pelo mercado.

O que eu mais admiro no Carpinejar e na obra dele é sua capacidade de poetizar o cotidiano, de escancarar os sentimentos de maneira clara. Tão clara que a mim é quase como um espelho. Sinto quase tudo o que ele escreve, e em muitos momentos parece-me que ele se sentou comigo, bateu um longo papo, e logo em seguida foi escrever. Escrever sobre meus sentimentos.

A partir da fala do Carpinejar, ontem, pensei algumas coisas... Ele deu a seus dentes tortos a função de infantilizador de si mesmo (acho que isso foi um neologismo meu), uma característica física sua que o mantém com ares de criança... Comecei a repensar os meus dentes tortos, a re-significá-los. Gosto do meu ar infantil, do meu jeito menina ingênua - mulher vivida. Pensarei...

Outra coisa que me chamou a atenção foi a fala do Carpinejar sobre a visão subjetiva do poeta. "A realidade passa por mim, por você. O poeta só faz poesia daquilo que o toca". E então corroborou minha postura neste blog, que é de escrever sobre o mundo a partir do meu olhar, mesmo que esse mundo seja o meu, privado. Não me sentia obrigada a escrever grandes observações a respeito dos outros, de eventos políticos, economia, etc... agora sinto-me ainda menos.

Viva meus sentimentos... Neste momento, são eles que importam!

Obs.: eu ia colocar aqui a foto que eu tirei com o Carpinejar, mas meu celular se juntou com o computador contra mim... Fica pra outra vez! No lugar, coloquei essa janela...