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30 janeiro 2012

Saudade

"Longe" - Arquivo pessoal

Hoje é Dia da Saudade. 
Parei para pensar nas Saudades que sinto e nas que senti. 
A Saudade, esse sentimento que já foi para mim como uma chaga aberta, doendo dia e noite e sem data para terminar (era essa a causa da dor), agora é vivida de maneira bem diferente. Minhas Saudades agora são brandas, boas, gostosas de se sentir. Saudade do que foi bom, de pessoas que amo e que podem, sim, ter um lugar distante (fisicamente) em minha vida. 
Difícil é a Saudade daquele cujo calor te tira do frio do dia-a-dia, cujo olhar te faz sentir que a vida vale a pena, cujo abraço te faz ter certeza de que encontrou seu lugar no mundo, cujo beijo faz com que seu coração bata num compasso diferente. Saudade que aperta o peito, que tira o fôlego, que apaga os olhos. Saudade que arranca os cabelos, que rói as unhas, que entorpece.  Saudade que mata um pouco a cada momento que se passa longe, a cada vivência não compartilhada, a cada despedida. Saudade que te faz pensar que será marcada para sempre pela dor da ausência.
Essa Saudade não sinto mais. Não hoje, não atualmente. 
Nada me garante que não voltarei a sentir - parei de tentar controlar meus sentimentos. Mas minha escolha agora é pelas Saudades frágeis, facilmente aniquiláveis por um telefonema, uns minutos no trânsito, "um pulinho aí só pra te ver uns instantes".
Se vou conseguir? Não sei. Mas não saber também já não é um problema tão grande assim...

23 agosto 2011

Pronto?

Imagem retirada da internet, autor desconhecido.

Mais uma prova. Clara. Claríssima.
De quantas provas você precisa para parar de vez de fantasiar e de acreditar num futuro impossível?
A árvore dos dias está seca. Morta. Cortada em sua base, raízes feridas. Nenhuma folha sequer, nem mesmo um poético tronco ressequido contrastando com o céu azul.
Nada - dinheiro nenhum no mundo inteiro, prêmios milionários, propostas indecentes - nada fará o tempo voltar.
Nada fará com que a história que não aconteceu se transforme em possibilidade, em realidade.
Pare de perder tempo!
Contente-se com o que houve. Já.
Leia diariamente o oráculo. "Não existe amor insubstituível".
Abra-se verdadeiramente para o agora.
É agora que você tem.
Esta é a sua vida, não aquela.
Chega de ladainha. Paciência tem limites.
Ah!

23 junho 2011

Polaroid

Voltinha na praça - Arquivo pessoal

Alegrias instantâneas e duradouras:

* Um brotinho na orquídea
* Flores em promoção
* Um raio de sol no edredon
* Um versinho de Quintana
* Uma xícara de capuccino
* Companhia pro almoço
* Voz de criança
* Foto antiga
* Abraço apertado
* Chamego de vô
* Risada de vó
* Notícia de saúde
* Reencontros
* Biju
* "Fique com você"

27 abril 2011

Diferente

Num lindo jardim - Arquivo pessoal


Tempo de redefinições, ressignificações, auto encontro, descobertas.
"Caçador de mim" já não define.
"Apaixonada" agora é meio diferente.
Parece um nascer de novo, mas já grande, sabendo andar.
A dor é menor e a recuperação é mais rápida.
O centro está bem aqui.


Ah, que delícia!

28 dezembro 2010

De lá até aqui

Imagem retirada deste blog

2010 começou com uma decisão. Só começaria assim. Não havia mais tempo para não-seis, quem-sabes, esperos. Encararia qualquer decisão, desde que tivesse esse caráter. Era necessário direcionamento. E a direção dada foi a do coração, do caminhar junto, para sempre (?).
Mas nem todas as decisões (ou quase nenhuma) dependem exclusivamente daqueles diretamente envolvidos. E outros aspectos - importantes, e juntos, mais fortes - fizeram com que a decisão fosse revogada.
Vinte e quatro horas de lágrimas naquele que estava marcado para ser o dia mais feliz de sua vida. Uma Macondo emocional: chuva e solidão eternas.
Alta produtividade para preencher o vazio que o grande amor lhe deixara: o trabalho era seu maior recurso naquele momento. Permitiu-se também ser salva por forasteiros de passagem, que assim como vieram - de modo absolutamente inusitado - se foram. Bem que dizem que algo só dura o tempo de sua utilidade ou missão. Assim foi.
Foi aos poucos entrando em contato com alguém que vinha evitando há anos, num paradoxo: descobrira que a melhor maneira de fazer com que seus pensamentos parassem era exatamente dar-lhes vazão. A liberdade acalma. E sua própria companhia, antes tão amedrontadora por não saber exatamente quem era, agora era a melhor de todas, imprescindível.
Teme ter somente sua própria companhia pelo resto da vida. Teme ser insuficiente para si mesma. Teme também se perder novamente caso encontre outra pessoa. Mas aprendeu - não neste ano, mas cumulativamente ao longo desses trinta e um - que o medo é só mais um sentimento.
Feliz 2011!

27 novembro 2010

La mia lettera a Julieta

1932 – La Lecture (Woman Reading). Imagem retirada daqui.

Querida Julieta,
Vivi tudo o que era possível nas condições que tinha: fui em busca do meu amor enquanto ele era apenas uma possibilidade, lutei por ele quando era uma certeza e abri mão quando ele passou a exigir de mim forças que eu já não tinha. Não poderia jamais dizer "what if" - e se. Mas vira e mexe me pergunto: e se tivesse sido diferente? E se ele tivesse "cruzado oceanos" por mim, por nossa história? E se no lugar do silêncio eu tivesse hoje o som de seus acordes?
Sei que nunca vou saber a resposta, Julieta. Me ajude a assumir o não-sabido!
Obrigada...
V.

12 setembro 2010

Autoperguntas

Imagem do SXC



E a pergunta que não quer calar é: por que tudo tem de ser tão pesado? Ou talvez, recolocada: tudo tem de ser tão pesado?
Dentre as alternativas, também dúvida: aceitação ou questionamento? O que tornaria as coisas mais leves?
A resposta está aqui ou lá? Por que a busca é sempre lá, e quase nunca aqui?

29 agosto 2010

A vida secreta das palavras

La Vida Secreta de las Palabras. Isabel Coixet, Espanha (2005).

Estou encantada com a delicadeza com que a diretora de "A vida secreta das palavras" aborda temas tão fortes como o sofrimento de alguém que foi marcado - de diversas formas - pela guerra.
O filme é de uma beleza impressionante, não tanto pelas imagens, mas pelas relações estabelecidas entre os personagens e dos personagens com as próprias vidas. Difícil descrever - difícil colocar em palavras!
O interessante é que ontem eu havia dado uma aula sobre Estresse Pós-Traumático a uma turma de pós-graduação. É um tema tão pesado, tão delicado, e sinto que não conseguimos - nem eu nem os alunos, que pareciam cansados e impacientes para aquela aula de sábado à tarde terminar - entrar em contato com o sofrimento que envolve uma pessoa que passou por um evento traumático e que sofre com as revivências ao longo da vida. Um terapeuta que não consegue ter a dimensão do sofrimento de seu cliente não consegue ajudá-lo, por melhores que sejam suas técnicas. E foi isso que fizemos ontem: exposição de técnicas.
Vim pela estrada com esse incômodo, o de não ter tratado do tema com a sensibilidade que ele requer, e me deparo à noite com "A vida secreta das palavras", abrindo meus olhos e ouvidos, de novo, para o sofrimento e as estratégias dos personagens para lidar com ele.
Excelente filme para refletir e discutir sobre trauma, esquiva experiencial, a importância da fala, de vínculos. Excelente filme para se aproximar do sofrimento do outro.
Comentários interessantes sobre o filme neste site.
Vale notar que a diretora Isabel Coixet foi também quem dirigiu "Minha vida sem mim" (2003), lindíssimo, tão sofrido e belo quanto "A vida secreta..."

05 julho 2010

Simple things



Voltar à infância andando de bicicleta com a melhor amiga na orla da Lagoa.
O sol entrando pela janela iluminando ainda mais o momento mágico.
Presentinho da aluna que me ensinou que a vida é muito mais do que a gente vê.
Fotos de bebês chegando por email.
kkk's e rsrs's
Sabores exóticos em família.
Relaxamento e saúde em doses homeopáticas.
Abraços sorridentes da avó mais fofa do mundo.
Cheirinho de Nina.
Férias entre amigos, num lugar novo.
Canjica.
Filme água-com-açúcar, cobertor...
Autocarinho.
Música boa tocando repetidas vezes.
Brilho nos olhos.
Explosão de cores.
Turismo na própria cidade.
Vida.


Imagem: Ipê roxo na Praça da Liberdade, BH. Por Vivi Marchezini

27 junho 2010



Fim de semana perfeito.
Nunca me arrependo de ser intensa, de mergulhar inteira nas situações.
Pode até doer depois, mas a sensação do agora é insuperável...
É tão premente minha necessidade de ser intensa que nem fotografias eu tiro: quero vivenciar tudo. Minhas fotografias são impressas na retina, na pele, na história. Slide show que prescinde equipamentos modernos.
E se a Gabi me perguntasse qual a frase que me guia, eu certamente diria: Carpe Diem!

Imagem: Flickr. Vale a pena ir lá ver, inclusive por conta da citação perfeita de Clarice Lispector.

22 junho 2010

Assim como ver o mar


Almoço sozinha com muita frequência. Nem sempre eu gosto - a solidão como companheira fixa não tem muita graça - e acabo prestando atenção nas conversas das mesas próximas para ter companhia. Aprendo muito!
Hoje ouvi numa mesa ao lado um rapaz comentando com os colegas sobre a escassez de momentos realmente felizes na vida que levamos atualmente. Ele dizia que alguns dos momentos de felicidade marcante em sua vida ocorreram na infância, apesar do dinheiro que ele tem hoje para desfrutar de muitas coisas aparentemente prazerosas, e citou, com brilho nos olhos e um belo sorriso nos lábios (sim, eu olhei pra ver com que carinha ele descrevia a situação), a primeira vez que viu o mar.
Comecei logo a vasculhar minhas memórias buscando momentos de felicidade intensa e marcante. Vou citar algumas aqui - a lista não é exaustiva, nem deve ser, já que vivi muitos momentos felizes e quero viver outros mais:

  • O momento em que soube da aprovação no exame de direção (melhor que passar no vestibular!)
  • Minha entrada, com meus colegas, no auditório do Sesi Minas, no dia de nossa cerimônia de colação de grau, ao som de Say a little prayer for you (nunca senti tanto frio na barriga, e nunca meus pelos se arrepiaram tanto!)
  • Meu baile de formatura (uma noite inteira de felicidade)
  • Quando deduzi que mamãe estava grávida e que teríamos um irmãozinho (o Gui)
  • Quando soube que seria tia da Clara (se o amor de tia foi imediato, imagine como será o de mãe?)
  • Indo de Maria Fumaça de São João Del Rey a Tiradentes e sentindo-me, enfim, em casa novamente, plena
Acho que outros momentos estiveram envolvidos também em medo, receio, ansiedade, alívio... por isso não quis colocar aqui.

Você consegue identificar um momento de felicidade intensa em sua vida?
Imagem: Arquivo pessoal. Agradecendo por momentos de felicidade.

15 junho 2010

Parindo

Nos últimos 12 meses recebi várias notícias de amigas, contando (a maioria muito felizes) que estavam grávidas. Fiquei muito feliz por todas elas (e já amo cada bebê, até os que a vida corrida ainda não me permitiu conhecer e os que ainda não nasceram!), mas não posso negar que senti uma pontadinha no cotovelo... Tenho muita vontade de ser mãe, desde sempre, e não foi muito agradável ver minha vida seguindo um caminho que distanciava a realização desse desejo ao mesmo tempo que o relógio começava a fazer seu tic-tac menos discretamente.
Difícil ouvir as conversas de grávidas, com as inúmeras descrições de enjoos e mal-estares e descobertas mirabolantes sobre tudo, quando eu ainda tentava descobrir se minha relação iria se firmar - ou não.
O fato é que a realização desse desejo continua distante - talvez até mais agora - e achei melhor colocar um travesseiro em cima do relógio, pra ver se abafa o barulhinho irritante que ele faz, marcando o tempo implacavelmente.
Mas a partir do post da Drica fiquei pensando na nossa vida (ela, que vivia situação semelhante à minha e também não estava grávida) e cheguei à conclusão que embora não houvesse nada em nossos úteros, também estávamos gerando uma nova vida: a nossa.
A gestação foi difícil, exigiu repouso, cuidados, o parto foi delicado. Mas como é linda essa nova vida! Como é preciosa, e como é bom cuidar dela...

28 maio 2010

O amor é uma flor roxa?


O amor se apresenta sob diversas formas, não é? Para além do amor erótico, é bem possível - e comum - experimentarmos amor em relações nas quais o que está em jogo é simplesmente o bem estar do outro.
Interessante como isso vem se apresentando para mim nos últimos dias: 
  • o amor que o cliente diz sentir por mim, muito provavelmente confundido com um sentimento de gratidão pela atenção e cuidado que dispensei a ele num momento de profunda dor; 
  • o amor imenso que sinto pelo Poeta, vivenciado agora na forma de desejos intensos de que ele seja muito feliz e se encontre enfim (o amor mais bonito que já senti, lembra?);
  • a felicidade ao ouvir da cliente que ela está conseguindo assumir o controle da própria vida, após anos de esquiva e torpor (a essa felicidade só posso dar o nome de amor).

Será que é esse o segredo dos meus olhos, o bem estar do outro? Isso me preenche tanto, me traz um sentido de realização e ao mesmo tempo de quero mais... Obviamente isso não é puramente altruísta, uma vez que me faz bem ver a felicidade do outro, a mudança rumo ao empoderamento.
Pensando...

16 abril 2010

Na mesma tecla...


Mais uma morte pra me sacudir, gritando pra mim que a vida é curta, que fogo baixo e geladeira - interminavelmente - não compensam.
Ver meu tio seriamente doente chorando a morte do pai com quem vivia às turras fez soar o alarme de novo.
O que eu tenho feito com minhas relações?
Se eu perdesse algumas pessoas nesse momento eu estaria perdendo o que? Eu teria deixado de construir o que?

E você, o que tem feito com suas relações?

27 março 2010

E por falar em nascer de novo...


"Medo de morrer na praia? Pelo que vejo você está morta há um ano. Parar de nadar nesta direção pode ser sua ressurreição."
Pensando...

Imagem retirada deste site

27 dezembro 2009

Para 2010




Você já sabe o que quer - e o que não quer - no próximo ano?


Neste ano que se inicia quero, cada vez mais:
- manter o que é bom pra mim e para os outros;
- aprender com as adversidades;
- tirar da minha vida o que não me ajuda a ser melhor.


Quero mais leveza, paz, sorriso, satisfação.
Quero menos alívio, saudade, frustração.
Quero teto, calor, chão.


Ampliar meus horizontes, me permitir viver de fato.
A vida é curta, 2009 me ensinou.
2010 não me escapa!


Desejo que você assuma o controle de sua vida em 2010. Pegue-a com as mãos, avidamente. Conduza-se pelos caminhos que deseja e que te fazem bem. Faça isso pleno da paz que é própria de quem faz o que é necessário, justo e bom.


Feliz 2010!


Imagem: A paz - Pablo Picasso (1952)

22 dezembro 2009

(Auto) aquecimento global



Seus sentimentos estão inconstantes como o clima desse dezembro estranho. Viram-se do sol radiante à mais terrível tempestade com a velocidade de um pensamento.
Ao fundo, a brisa fria, imprópria para a época, soprando persistente. Às vezes consegue se proteger com presentes ilusórios, ou fechando as janelas para o futuro incerto.
Entretanto percebe que não há muito o que fazer.
Precisa apenas saber ao certo que chão escolherá para si, e que caminhos deve recusar.

Imagem: A ventania - Anita Malfatti (1917)

10 dezembro 2009

Com a vassoura atrás da porta

Melancolia, que surpresa desagradável... Você sumiu há tanto tempo que já não esperava que voltasse. Não seja deselegante: perceba logo que não é bem vinda, dê uma desculpa qualquer e saia de fininho.
E faça a gentileza de não voltar!
Obrigada!


Havia colocado uma imagem belíssima para ilustrar o post. Mas a pedido da autora (muito gentil, por sinal), essa imagem está sendo retirada. Respeito aos direitos autorais é super importante!