26 novembro 2007

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Outro dia sonhei que estava em um ônibus urbano, lavando peças íntimas minhas. Bizarro, né?

Quando acordei essa foi a única coisa que pensei: que bizarro! De onde surgiu essa imagem?

Quem, na realidade, se submete a lavar peças íntimas num ambiente onde pessoas desconhecidas vão e vêm, entram, saem, sem ter a menor relação umas com as outras???

Eu.

E é por isso que resolvi que algumas coisas não vou publicar aqui, por mais umbigocêntrico que seja este blog. De repente, falar de coisas muito íntimas por aqui se tornou absurdo pra mim.

Peço desculpas a quem eu possa ter exposto por aqui também. Por incrível que pareça, eu nunca pensei que isso pudesse ser ofensivo.

25 novembro 2007

Verborragia



Olhos surpreendentemente abertos
Sensibilidade borbulhante
Coração inquieto
Pensamentos agitados - mas nem aqui e nem lá
Dedos tamborilantes
Ansiedade?
Ou serão as palavras, aflitas por um lugar no antigo caderno?
No mundo!
Desejosas por liberdade...

22 novembro 2007

Feliz ano novo



Começa agora um novo tempo. Um tempo de novidades, de amadurecimento, de crescimento, de olhares diferentes para o mundo, para si mesmos.

Feliz ano novo!

12 novembro 2007

Vinícius



Passeando pela net, de blog em blog, site em site, comecei a pensar em minha paixão pelas palavras e em como gostaria de aprimorar minha escrita. Uma oficina, quem sabe?
Encontrei o site Escritório de Histórias, que traz uns links interessantes. Um deles é o link para o site de Vinícius de Moraes, que apresenta toda a obra do poetinha e ainda nos dá a possibilidade de criar nossas próprias antologias de sua obra!
Lembrei que há alguns anos (três?), ainda lá em Belém e postando no Caçador de Mim (meu antigo blog), descobri e comentei sobre esse site do Vinícius. Resolvi tentar um possível login e senha...
Encontrei minha antologia!!! Nela, vários poemas lindos. Um em especial, que resolvo (re)postar aqui, por tudo o que significa agora em minha vida.

Deleitem-se, como eu!


Antiode à tristeza

Ó enfermeira sem som do olhar sem cor
Que refletida ao último infinito
Pela lúcida insânia dos espelhos
Passeias pelo imenso corredor
Desta antiga Irmandade! Ó sonolenta
Irmã-sem-Caridade, que vagueias
Com tuas leves sandálias de silêncio
Cuidando com desvelo da saudade
E dos males de amor de cada enfermo!
Ó guardiã do ermo, provedora
De langor, que pelo imenso corredor
Deste hospital sem termo, te comprazes
Em deitar éter sobre o sofrimento
Dos que querem viver, e dar morfina
Aos que morrem de amor! Ó freira louca
Irmã-sem-Fé, a desfiar, ausente
Teu rosário sem fim de contas ocas!
Ó trânsfuga da vida, esmaecida
Monja: o que queres mais de mim?
Já não te dei meus dias, minhas noites
E até minhas auroras, não te dei?
Já te mandei embora? Não fui sempre
Teu melhor paciente, e o mais antigo?
Não fui amigo teu, mesmo doente
De ti, não fui, Madre desoladora?
Pois agora te digo: vai-te embora!
Afasta-te de mim! não mais te quero
Irmã-sem-Esperança, confessora
Sem perdão, de quem mais nada espero
Senão vazio e angústia. Irmã-sem-Dor
Com teu rosário e teu burel de cinzas
A empoeirar de tédio as minhas horas.
Vai predicar além, predicadora
Da voz ausente, vai! que se me voltas
Eu grito nomes feios, eu te espanco
Ou te enforco em teu terço de mil voltas
Ou caio na risada, ou te exorcizo
Com um gigantesco crucifixo branco
Onde, transverberando luz do flanco
Resplende o corpo nu da minha amada!

in "Para viver um grande amor (crônicas e poemas)"in "Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu" "

07 novembro 2007

Arrumação



"Eu ontem joguei tanta coisa fora!
Vi o meu passado passar por mim..." (Herbert Vianna)

Ontem arrumei minhas gavetas. Organizei minhas contas, meus documentos, coloquei cada coisa em seu devido lugar: numa gaveta, objetos que me protegem e fazem bem (remédios, terços, patuás, a carteirinha da academia que não freqüento); na do meio, coisas que me fazem bela (maquiagem, material de manicure, espelho); na da direita, coisas que me ajudam a produzir (canetas, lápis, apontador, cds de dados, clipes, bloquinhos, adesivos e meu carimbo de sapinho). Nas gavetas maiores, trabalho x diversão: de um lado textos técnicos, do outro revista Cláudia e Boa Forma.

Nas gavetas abaixo da cama coloquei a pasta de documentos, finalmente organizada. Joguei fora papéis velhos, inúteis, caixas que amontoavam meu guarda-roupa.

Coloquei minhas bijuterias em caixas maiores e mais bonitas, meus badulaques de cabelo numa caixinha especial que ainda vou decorar com minhas colagens e pinturas (não sei quando!).

Interessante observar como eu guardava coisas que absolutamente não me servem, e que estavam lá simplesmente porque eu nunca havia decidido jogá-las fora. Por outro lado, alguns objetos ainda têm sua função, e não vão ser dispensados tão cedo...

Quem entra no meu quarto quase não vê diferença. Por fora ele é o mesmo. Inclusive ainda há bagunça em cima da mesa. Feliz ou infelizmente, ainda não tenho espaço suficiente para guardar meus livros sem que o quarto fique bagunçado.

No entanto por dentro há uma sensível diferença.

Sempre ouvi dizer que organizar os objetos é uma boa oportunidade para organizar a própria vida. E sei que estava protelando essa organização (ou essas) há um bom tempo. Desfazer de energias acumuladas, desatravancar a vida, separar o joio do trigo, o que fica e o que vai, determinar como fica o que fica.

Momento interessante este, da minha vida...

03 novembro 2007

Recriação


"Quando se sentir liberado, descanse e brinque. Você precisa de 'recriação' todos os dias".

Tirei essa frase do livro Terapia da aceitação, que inclusive já citei aqui. Ela é super apropriada para o momento em que estou vivendo. Estou de férias! É hora de descansar, brincar e me recriar. Momento de pontuar alguns aspectos da minha vida. Tirar as reticências e colocar pontos finais (.) ou dois pontos (:). No trabalho, hora de colocar ponto e vírgula (;) e dar uma pausa, merecida e necessária.

Planos para as férias (sou uma mulher de planos, lembrem-se!):

- Acordar quando o sono acabar
- Dormir quando o sono vier
- Comer quando der fome, só o suficiente para fazê-la ir embora
- Estudar (não posso me desvencilhar desse...)
- Viajar
- Rever amigos
- Rever um amor
- Resolver o que fazer com ele
- Chorar ou sorrir, o que tiver que ser
- Ver o pôr-do-sol no rio e no mar
- Mandar embora com a água tudo de ruim
- Conversar com Nossa Senhora de Nazaré, lá na "casa" dela
- Me renovar

É quase um reveillón... Adeus 2007!

Imagem tirada deste blog

23 outubro 2007

(In)Constante


Chove.
O guarda chuva só protege a raiz dos cabelos desbotados.
Faz frio.
Nariz gelado.
O vento sopra forte.
Fios eriçados.
No momento seguinte o calor impõe o uso de roupas frescas e banho frio.
Nenhuma folha se move.
A beleza do céu azul machuca a retina.
Mãos ágeis, pernas pesadas.
Tudo em volta é efêmero, mutante, intenso.
Por dentro só duas coisas: o amor que não muda e a dúvida que persiste.
Melhor é ter o tempo como aliado.

Vívian Marchezini Cunha - 23 de outubro de 2007

Imagem: The Walk, Woman with a Parasol, Claude Monet 1875

12 outubro 2007

Eu confio?



Feriado, finalmente algum tempo em casa e, melhor ainda: sozinha. Quando se passa cada hora do dia com outra pessoa (ou outras), um tempinho de solidão vale ouro...

Na minha solidão, coloquei no dvd o filme Premonições, com Sandra Bullock. Meus amigos sabem o quanto filmes me fazem pensar sobre minha vida (algumas vezes até estimulam algumas decisões). Com este não foi diferente.

O filme conta a história de Linda, uma dona de casa, mãe de duas meninas, casada há alguns anos com o homem que ama, mas com quem já não tem uma relação próxima. Um dia Linda acorda e recebe a notícia que seu marido morreu. No dia seguinte ele não está morto... Ao perceber que está vivendo os dias fora de ordem, Linda se vê diante de um problema: tentar evitar a morte do marido e construir uma nova relação com ele ou deixá-lo morrer e viver a partir daí uma nova vida?

Linda sabe o que vai acontecer, e sabe mais ou menos quando. Sabe que do jeito que estava vivendo não quer mais continuar. Não sabe o que pode acontecer depois: se será feliz, se dará conta sozinha, se conseguirá viver diferente, um novo relacionamento. Sabe que o que viveu no passado não pode voltar a acontecer, os tempos agora são outros. Mas como ela gostaria que fosse possível!

Não quero fazer spoiller, e acho até que não seria, já que o filme não é tão recente. Enfim, Linda abre o jogo com o marido, que então muda alguns aspectos em sua maneira de se relacionar com Linda, toma algumas decisões que preservam a relação e que garantem o futuro deles.

O filme fala de cuidar do presente, do agora. Mudar agora a relação com o outro, com o mundo, com a própria vida. Talvez isso não mude o que está para acontecer, mas mude a maneira de vivenciar o caminho até lá e, quem sabe, plantar algo diferente para o futuro.

Isso está borbulhando na minha cabeça, no meu coração. Será que ainda há o que fazer? Será que o evento é mesmo inevitável? Que tipo de coisa diferente pode ser plantado para o futuro? Tenho tanto medo que só consigo pensar no pior.

Preciso de mais fé...

10 outubro 2007

Sentir com outros



Amenizado o incômodo com a tal pulga atrás da orelha de ontem (na verdade, liguei o f.... para ela e quem tratou de colocá-la lá), volto aqui para dizer o que já queria antes: sobre o amor que sinto por algumas pessoas. Citarei alguns exemplos:

No último domingo recebi a notícia da vitória do André no Festival do CCAA, em Belém. Ele e sua banda Bate a Campa concorriam com várias bandas (não sei ao certo quantas, quase 20) a um prêmio muito significativo: a possibilidade de gravar um cd! E o André venceu! Fiquei super feliz por isso, por tudo o que essa vitória representa na carreira do André, na realização de um sonho que, como já disse antes, é lindo. O André é um músico super talentoso, merece tal realização.

Pude observar, a partir da minha reação a uma conquista que é do André, que é, sim, possível ser solidário na felicidade alheia. Não sei se a palavra é exatamente essa. Deixe-me explicar melhor... Neste caso específico, não sei em que medida a vitória produz mudanças em minha vida. Nada indica que a partir desse prêmio ele estará mais próximo ou mais distante de mim, ou seja: não tenho nada a ganhar com isso. No entanto fiquei feliz como se fosse eu mesma a vencedora.

É isso, talvez a palavra correta seja empatia, e não solidariedade.

É o que ocorre quando fico preocupada diante das buscas da Chris por bem estar; quando sinto dor quando leio os relatos de solidão da Mi (aliás, já até chorei junto com a Mi ouvindo-a contar seus sentimentos. Lembra, Mi?); quando me enchi de felicidade ao ver os olhos apertadinhos da Kaori se apertarem ainda mais pelo enorme sorriso no rosto, durante seu casamento; quando senti um enorme bem estar ao ver Carmen cantando para seu amado, realizada, na festa de casamento mais internacional e musical que já vi...

E muitos outros etcs!

A empatia é uma habilidade que o psicólogo precisa desenvolver, para que possa realizar bem seu trabalho. Ao se colocar no lugar do outro (entrando em contato com as contingências que controlam o comportamento do outro) estando ao mesmo tempo no seu próprio lugar, o psicólogo consegue se aproximar do que esse outro sente e buscar referências externas para o próximo passo a seguir.

Sei que essa é uma habilidade que não é exclusiva do psicólogo, mas essencial para ele. E sei também que não sou psicóloga em tempo integral. Mas uma coisa é certa: sou empática em tempo quase integral...
Obs: Buscando imagens para ilustrar este post, descobri um outro blog falando coisas muito semelhantes sobre empatia!
Imagem: Nela Vicente - Empatia

09 outubro 2007

Desisti



Eu ia escrever um monte de coisas bonitas aqui... Mas vi em outro lugar uma imagem da qual não gostei muito. Deixo a beleza pra depois. Vou estudar, pra ver se a pulga que está atrás da minha orelha para de me incomodar.
Desculpem...

Imagem deste site.