10 junho 2006

De volta, de novo

Mais uma vez me preparo para voltar pra casa. Mais uma vez motivada pela necessidade do aconchego e da segurança do colo dos meus pais. Como é estranho precisar do colo deles do alto dos meus 27 anos, suposta mulher maravilha... Suposta.
Outro dia minha terapeuta (sim, estou fazendo terapia, de novo) disse que o que embasa todas as minhas questões é a necessidade de me aceitar como sou, exatamente como sou: quase uma mulher maravilha. Frágil, forte, altruísta, egoísta, bonita, feia, expansiva, introvertida, super exigente, displiscente...
Continuo caçando a mim mesma... O que eu ainda não tinha percebido é que eu sempre estive bem aqui, ao meu lado.

06 abril 2006

Feliz aniversário


Então, contrariando minhas expectativas (graças a Deus!), eu tive um feliz aniversário. E digo, sem medo de exagerar, que foi o melhor aniversário desde que cheguei em Belém.
Sem estresse, do meu jeitinho, com pessoas muito queridas... tudo muito tranqüilo.
Achei que seria um dia triste, vide as circunstâncias atuais... Mas não! Foi realmente um dia muito, muito feliz. E o dia seguinte também!
Começo a perceber em mim algumas mudanças. "Mudar pra ficar tudo com está", como diria um livro que li outro dia... O que significa mudar para me adaptar às mudanças, e aí voltar ao conforto de uma situação conhecida. Então com as mudanças que venho percebendo em mim começo a me sentir confortável novamente. Não acomodada, que fique claro.
Tenho me dado o direito de sentir o que sinto, sem esconder, sem me violentar. Quero (e tenho feito) agir da maneira que acho mais adequada, mais condizente com meus sentimentos. Para algumas pessoas isso não é correto, estou sendo burra, imatura, não estou enxergando a situação.
Burra? Pode até ser que daqui a alguns anos eu tire essa conclusão. Mas no momento é o que me faz mais feliz. E isso pra mim não é burrice.

20 março 2006

Áries

Hoje, às 15h26min começou o ano astrológico. Embora eu não tenha sentido nada especial naquele momento, as matérias que vi hoje a respeito desse assunto me fizeram pensar no meu emborboletamento. Porque o ano astrológico começa em Áries, o meu signo, e indica um período de mudanças e realizações.
Pois é, mudanças eu já venho sofrendo - literalmente - nos últimos tempos. Faltam as realizações. É certo que estou aguardando o tempo certo de iniciá-las, me lembrando sempre da dica da Michele: uma borboleta, quando forçada a sair do casulo, não tem forças para alçar vôos...
Mas graças a Deus já consigo visualizar algumas realizações para o ano que se inicia hoje. Novos antigos ares, voltar a estudar, tentar curar as feridas que ficaram e ainda dóem.
Então venho aqui hoje mais para dar um feedback a todos vocês que vieram, me deram força, se dispuseram a ser árvore... Valeu! E ainda vale muito. Ainda não prometo freqüência de postagens, já que agora, além de um pouco machucada também estou sem computador. Mas acho que vou conseguir vir de vez em quando.
Muito, muito obrigada!
E um bom ano para todos nós...

08 fevereiro 2006

Casulo





Alguns momentos em nossas vidas exigem-nos recolhimento.
Um recolhimento ativo, intensivo, de fragilidade extrema.
Isso geralmente ajuda a voltarmos ao mundo mais fortes, prontos para uma nova etapa.
Estou entrando no meu casulo. Espero não precisar ficar lá por muito tempo. Espero também voltar aqui várias vezes, até mesmo para que meu processo de emborboletamento ocorra mais rapidamente.
Peço aos meus leitores que venham sempre. Um casulo sempre se apóia em alguma árvore ou parede...

06 fevereiro 2006

Essa cidade que só chove



Um dia chuvoso. O primeiro de muitos...

The promise
Tracy Chapman

If you wait for me then I’ll come for you
Although I’ve traveled far
I always hold a place for you in my heart
If you think of me, if you miss me once in awhile
Then I’ll return to you
I’ll return and fill that space in your heart

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I’ll find my way back to you
If you’ll be waiting
If you dream of me like I dream of you
In a place that’s warm and dark
In a place where I can feel the beating of your heart

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I’ll find my way back to you
If you’ll be waiting
I’ve longed for you and I have desired
To see your face your smile
To be with you wherever you are

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I’ll find my way back to you
If you’ll be waiting
I’ve longed for you and I have desired
To see your face, your smile
To be with you wherever you are

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I’ll find my way back to you
Please say you’ll be waiting

Together again
It would feel so good to be
In your arms
Where all my journeys end
If you can make a promise if it’s one that you can keep, I vow to come for you
If you wait for me and say you’ll hold
A place for me in your heart.

02 fevereiro 2006

Poesia


Ontem comprei meu primeiro livro de poesias. É bem verdade que já havia comprado um certa vez (Álvares de Azevedo, para o vestibular... que eu adorava ler, por sinal!), mas agora comprei sem a obrigação de ler e ser testada. Ah, e como é bom ler algo sem essa obrigação... O conhecimento por puro prazer é maravilhoso! E como comprei também outros dois livros técnicos, me dei esse luxo...
Aliás, não encaixaria a poesia na categoria do "conhecimento". Poesia é sensibilidade, é oxigênio... Poetas são mais vivos que gente comum. Tenho um poeta em casa, e sei o quanto sua sensibilidade é real, concreta. E o quanto me encanta.
O livro que comprei é Para não dizer adeus, da Lya Luft (minha amiga íntima, pela afinidade de pensamentos, ainda que não saiba). Ainda não li todo - aprendi que o conhecimento por prazer é ainda mais prazeroso quando adquirido lentamente. No entanto um poema já me chamou atenção. E é esse que transcrevo aqui. Qualquer semelhança não é mera coincidência (o meu poeta particular diz que coincidências não existem... a Lya não é minha *amiga*?)!

AUTO-RETRATO

Alguém diz que sou bondosa:
está tão enganado que dá pena.
Alguém diz que sou severa,
e acho graça.
Não sou áspera nem amena:
estou na vida como o jardineiro
se entrega a cada rosa:
corte, sangue, dor e aroma,
para que a beleza fique na memória
quando a flor passa.

(Amar é lidar com os espinhos
de quem ama por inteiro:
com força, não com fraqueza.)

30 janeiro 2006

Caminhos?

The red model II 1939, de Rene Magritte. Retirado de www.surrealists.co.uk

Curioso... estou aqui olhando para a página de postagem do blogger, pensando qual seria um bom tema para escrever. Comecei um. Apaguei. Comecei outro. Apaguei de novo. E vejo agora que, apesar de diferentes, esses mal-fadados temas convergem num ponto: o futuro.
O primeiro tema deletado foi exatamente sobre o futuro. Citaria um trecho que li há algumas horas do livro do Osho, que o André me deu em 2004. No entanto travei.
O segundo tema seria sobre a atividade de correr e como isso me faz bem. Comecei a pensar porque voltei a correr... Me lembrei de uns sonhos que tive há cerca de duas semanas... Por várias noites seguidas sonhei que caminhava com muita dificuldade, em lugares que conhecia, mas sob circunstâncias estranhas (de madrugada, sozinha). Nesses sonhos eu andava, andava, andava e não progredia, não chegava nunca... Fiquei muito incomodada com esses sonhos e resolvi caminhar (de fato), até mesmo para provar pra mim mesma que era capaz de andar, de me mover, de atingir meus objetivos.
Caminhar foi bom. Tenho alternado caminhada e corrida. Enquanto corro desafio a mim mesma, tento (e consigo) quebrar limites, meus próprios limites. E quando caminho depois da corrida entro numa espécie de transe, uma sensação muito boa... algo como sentir o corpo inteiro e ao mesmo tempo não sentir nada.
Mas juntando tudo agora, chego a conclusão de que meu futuro é atualmente uma incógnita pra mim. No livro, Osho dizia que o futuro só existe enquanto uma projeção dos nossos desejos. E eu não sei quais são meus desejos hoje. É como se eu não conseguisse caminhar (muito menos correr) porque não sei quais são meus limites, onde estou caminhando, onde quero chegar.
Para mim essa é uma situação estranha. Sou o tipo de pessoa que sempre teve um projeto de vida, que buscou realizar esse projeto sacrificando muita coisa, vencendo limites, lutando muito.
Então hoje olho pra frente e não vejo nada. E minhas pernas ficam pesadas...

26 janeiro 2006

Crescendo


A Michele me emprestou o cd com a trilha sonora de Felicity. Estou ouvindo agora... Adoro esse seriado. Conta a história de uma garota que sai de sua cidade natal para estudar em Nova Iorque, na mesma faculdade do garoto por quem ela foi apaixonada no colégio, baseada apenas nas palavras que ele escreveu no seu livro de formatura.
A Felicity foi atrás da felicidade dela, do que ela achava ser o melhor pra sua vida. Apostou na mudança, apostou na possibilidade de ser feliz. Um milhão de coisas aconteceram, ela namorou o garoto, terminou, namorou de novo, conheceu um monte de gente, fez amigos de verdade, sofreu decepções, cresceu e se tornou mulher.
A possibilidade de ir em busca da minha felicidade, não importasse onde ela estivesse, sempre me atraiu muito. Desde muito nova eu falava em morar sozinha, em viajar, conhecer o mundo. Tinha a sensação de que Belo Horizonte era pequena pra mim, que ter apenas aquela vivência seria pouco. Saí. Como Felicity, conheci muita gente, fiz amigos de verdade, amei, sofri, chorei (como chorei!), aprendi muita coisa, desaprendi outras tantas, voltei. Tornei a sair, e desta vez tida como louca por todos que conheciam minha história...
Acredito que tomar decisões - e arcar com as conseqüências delas - é fundamental no processo de crescimento do indivíduo. Enquanto todos (ou quase todos) consideravam minha atitude de voltar a Belém como inconseqüente, baseada em parcas probabilidades de dar certo, eu tinha a certeza (ou talvez a tenha agora) de que naquele momento estava crescendo mais do que quando resolvi sair pela primeira vez. Porque desta vez eu estava me expondo efetivamente à possibilidade quebrar a cara, agindo com muito medo, mas agindo. Me entregando ao que poderia ser o grande amor da minha vida, sem ter certeza de nada, só de que é preciso tentar.
Então eu penso na Felicity, em mim, na Michele (nossa mais nova Felicity)... penso no quanto é difícil sair do seio da família, da cidade que a gente conhece como a palma da mão e ir em busca de uma nova vida. Penso no quanto isso muda completamente a noção que temos de vida, de dependência, de independência, de família, de amor, de saudade... No quanto isso tudo vale a pena.
A você, Mi, desejo muito crescimento em sua nova vida em São Paulo. Que ele ocorra de maneira muito fluida, muito madura...

Fotografia retirada de www.asminasgerais.com.br

23 janeiro 2006

Ipês e nostalgia...


Pulando de link em link acabei chegando na página do Rubem Alves. Pensador mineiro (quanta honra!), escreve coisas belas e, como diz em seu livro Lições de Feitiçaria, escurecedoras, uma vez que nos levam não ao conhecimento dado, mas às perguntas... Quando estava terminando o mestrado comentei com um professor e amigo: quanto mais leio para a dissertação, tenho mais certeza que não sei nada! Ele suspirou aliviado e disse: que bom! Você está no caminho certo...
Digressões à parte, cheguei a um texto do meu conterrâneo, que falava dos ipês. Um trechinho:
"Conheci os ipês na minha infância, em Minas, os pastos queimados pela geada, a poeira subindo das estradas secas e, no meio dos campos, os ipês solitários, colorindo o inverno de alegria. O tempo era diferente, moroso como as vacas que voltam em fim de tarde. As coisas andavam ao ritmo da própria vida, nos seus giros naturais."
E lendo aquilo me bateu uma saudade de Minas... porque ipês são para mim a cara de Minas. A cara das estradas de Minas na Semana Santa, juntamente com as quaresmeiras. A cara da minha infância. Consigo sentir agora, enquanto escrevo, a sensação de alegria e ansiedade por estar viajando, a caminho do paraíso... Pra mim nenhuma estrada é como as estradas de Minas, com seu lindo mar de montanhas, salpicado do amarelo dos ipês.
Os ipês me trouxeram a Minas que não tenho mais. A Minas que não vi quando estive por lá em dezembro. Aquela que ficou na minha infância e na adolescência.
Por isso que se um dia voltar a morar em Minas quero morar no interior. Assim poderei ver ipês sempre...

21 janeiro 2006