14 março 2009

Superar é preciso



Acabo de assistir ao filme "O Escocês Voador". Assisti apenas à segunda metade, o suficiente para me emocionar e pensar em algumas coisas acerca do enfrentamento, da superação e da humildade.

O filme conta a história do ciclista (escocês!) Greame Obree. (Me desculpem as imprecisões ao relatar a história; como disse, assisti apenas a uma parte do filme - coisas de quem zapeia na tv a cabo até encontrar algo que valha a pena.) Obree cresce numa cidade no interior da Escócia, perseguido e maltratado por outras crianças da cidade, no que hoje chamamos de bullying, nome novo para antiga e cruel prática infantil. Para conseguir fugir dos "inimiguinhos", Obree passa a andar em sua bicicleta cada vez mais rápido, e acaba aprendendo que essa é não só uma boa fuga, como também algo que lhe faz bem. Penso que isso pode ser enquadrado na classe de respostas de esquiva adaptativa: uma interessante (às vezes a única possível) resposta de enfrentamento.

Obree passa a fazer da bicicleta seu meio de vida: trabalha como entregador e treina velocismo, batendo recordes nacionais e mundiais.

Me chamaram a atenção os diversos momentos em que Obree é boicotado pela Federação Mundial de Ciclismo, que criava novas regras a cada nova conquista do ciclista: Obree se adaptava às novas regras buscando alterar e superar sua própria maneira de trabalhar, e vencia novamente. Superação.

Além dos entraves burocráticos, Obree ainda precisava enfrentar suas dores pessoais. Não as físicas, mas as psicólogicas. Ter sido vítima de bullying deixou marcas importantes em sua auto-imagem, em sua auto-estima; mesmo campeão mundial, Obree sofria com a depressão.

No caso de Obree, a longa história de superação não foi somente benéfica. Ele sabia que estava mal, mas sabia também que conseguiria voltar a ficar bem, bastava que se esforçasse para isso. Foram anos de altos e baixos, ora sucumbindo à depressão, ora vencendo-a temporariamente. Obree teve seu bem estar adiado por muito tempo, por não perceber que a ajuda de outras pessoas - amigos e profissionais - se fazia necessária.

Somente após chegar ao fundo de sua dor, tentando o suicídio, é que Obree admite a possibilidade de estar doente e de precisar de ajuda profissional. Aqui entrou a humildade.

A história de Obree me emocionou porque consegui enxergar nele algumas pessoas que conheço e que me são muito queridas. Enxerguei um pouco de mim também. Me tocou a luta solitária para sair da tristeza, uma tristeza persistente e lenta, que age aos poucos, minando as forças da pessoa. Senti pena de Obree, de mim mesma (do quanto demorei a identificar que precisava de ajuda quando estava mal), dessas pessoas queridas que identifico que estejam mal também. Senti vontade de fazer algo por elas, de pegar suas mãos e levá-las a um profissional, de dizer: "faça psicoterapia, isso é uma ordem". Mas sei que isso não funciona, que não adianta obrigar uma pessoa a se cuidar se isso não é uma demanda dela mesma.

Eu já me cuidei. Me sinto bem agora (há algum tempo, graças a Deus e aos profissionais que me ajudaram). Talvez o que eu possa fazer seja isso mesmo: estar bem, disponibilizando minhas mãos para quando essas pessoas perceberem a necessidade de serem puxadas e amparadas...

01 março 2009

Sêneca



"Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.

Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso. A natureza deu-nos posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez dos mortais que, por coisas insignificantes e desprezíveis, as quais certamente se podem recuperar, concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando, na verdade, ele é único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolver esse tempo de quem tirou."

Da economia do tempo - Em: Sêneca, Aprendendo a viver
Imagem: Flickr

23 fevereiro 2009

Loading.....

Estou bastante sumida daqui. Nas últimas semanas venho tentando lidar com os acontecimentos e com minhas inconstâncias - emocionais, comportamentais - de maneira mais privada. Nem tudo deve ser dito, tornado público, exatamente porque ainda é processo. Estou me organizando, preparando novos momentos, buscando a concretização de projetos nos quais trabalho há tempos.
O que posso dizer neste momento é que me faz muito bem o abraço de pessoas queridas. Estreitar laços e reduzir saudades, essas que me acompanham grande parte dos meus dias, é realmente muito bom.
No mais, vou seguindo em frente, construindo meu caminho aos poucos, recuando às vezes, mudando os planos ou as estratégias, quase como uma barata tonta, mas nem tão tonta assim.

01 fevereiro 2009

38 graus



...então eu chego da janela do meu quarto e, vendo o mar em sua generosa imensidão, penso: 'que trabalho que nada, eu vou mergulhar agora... é disso que meu corpo precisa!'
E antes de sentir a temperatura perfeita da água, acordo de meu delírio concluindo que é melhor mesmo que eu não more numa cidade litorânea...

29 janeiro 2009

"Minhas férias"



Férias. Ou quarentena. Ou resguardo. Esses quarenta dias em que estive afastada do trabalho (acabei de me dar conta da quantidade e do que ela geralmente significa) me descansaram, me curaram, deixaram-me pronta para o que vem por aí.

Foram muitos encontros importantes!

O encontro com o ócio, querido, sem culpa. Dormir até mais tarde, assistir a altas besteiras na tv até não aguentar mais de sono, ler ainda um pouco antes de desmontar na cama.

O encontro com o sabor. Apreciei comidas deliciosas, sem me deixar destruir, usufruindo apenas do que elas poderiam me oferecer de positivo.

O encontro com a gargalhada. Ai, que divertido brincar como criança, rir até a barriga doer, rir de coisas simples e bobas!

O encontro com o sol e com o mar. Estar com o sol sem desejar fugir dele, estar entregue, em meio ao casamento perfeito de seu calor com a refrescância e energia das águas salgadas que custo tanto a sentir.

O encontro com o inusitado, com o mal estar, com o alerta do corpo. Aceitar o que vem, não me rebelar. Foram consequências - farei diferente da próxima vez.

O encontro com a amizade. Em longas jornadas - a pé junto à lagoa, de carro rumo ao mar, no espaço intangível mas presente da internet - aprofundando a relação, tornando-a fecunda e mais clara.

O encontro com uma história compartilhada, suas raízes, pedras, santos, talentos, atrocidades, douradas ambições, conhecimentos populares, cheiros, sabores, pernas doces, pés de moleque.

O encontro com o desejo pelo conhecimento inútil, mas não fútil ou banal. Descobrir coisas belas e suas histórias pelo simples prazer que isso proporciona, pelo reconhecimento da minha enorme limitação e pelo embevecimento ao identificar a suprema arte do outro.

O encontro com o amor. O mais belo encontro, porque de novo, porque sempre, porque real quando já quase era ponto. Porque nunca houve reticências tão concretas, porque tudo o mais veio também.

O encontro com o medo. Ele frequentemente vem. Mas o que ele não sabe é que aprendi que ele vem, inevitavelmente, e que nem por isso vou fugir ou desistir dos outros encontros. Ao contrário, o convido para vir comigo - sem medo sou um perigo!

O encontro com a paz. Uma paz forte (mas não indestrutível, ou seria estagnação), capaz de silenciar o medo em vários momentos, capaz de silenciar meus pensamentos, pausar meus sonhos, abir meus olhos para o que logo passa, para o que não será, simplesmente é.
Imagem: arquivo pessoal, impossível deletar ou copiar...

09 janeiro 2009

Momentum


Despira-se de alguns desejos, abdicara das companhias, deixara a estrada para outra hora.

Embebida de sua nova filosofia - a de viver o agora - não poderia deixar passar aquele momento. Há tempos esperava por ele.

O objeto de sua paixão, a fonte de sua energia estava ali, disponível, depois de vários dias compulsoriamente escondido pela chuva fina que caía das densas nuvens.

O sol estava lá, maravilhoso, forte, revigorante, perfeitamente acompanhado de um inebriante azul e da mais suave brisa que uma metrópole consegue prover.

Nada mais natural que entregar-se - com as devidas proteções, claro. Ainda conseguia ser prudente, apesar de apaixonada.

Levara consigo algumas companhias: sons, letras, água, óculos, chapéu, pensamentos.

Vivenciara cada minuto daquela tarde com o sol.

O traço evanescente da tecnologia no céu, as borboletas, os besouros, a garça (linda), os versos finalmente entendidos da música que ouvira tantas vezes, a praga da insônia em Macondo, o previsível mas ainda assim inevitável susto com a água gelada no corpo quase incandescente, as lembranças de outros sóis, outros sustos, outros fôlegos perdidos, os planos, feitos e imediatamente desfeitos - tenta ser alguém do presente, afinal.

Seu ímpeto era depois contar a cada um detalhes de sua deliciosa tarde com o sol.

Desistira. Era muito íntimo, absolutamente pessoal, maior que as palavras, maior que as histórias dos outros. Qualquer descrição seria pobre, qualquer recepção seria frustrante.

Então à noite, na companhia da lua (belíssima, decerto, mas não tão encantadora como o sol), prefirira o silêncio.

Momentum.


Imagem deste site

24 dezembro 2008

Votos



Que nesta data haja o nascimento do amor, do perdão, da compreensão, da empatia, das relações igualitárias...

Que a saúde, a paz e a alegria estejam sempre presentes...

Que no próximo ano as ações de cada um produzam um mundo melhor para todos!


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22 dezembro 2008

A very distant dreamer



Distant dreamer


Although you
Think I cope
My head is filled
With hope
Of some place
Other than here

Although you
Think I smile
Inside all the while
I'm wondering
About my destiny

I'm thinking about
All the things
I'd like to do
In my life

I'm a dreamer
A distant dreamer
Dreaming for hope
From today

Even when you
See me frown
My heart
Won't let me down
Because I know
There's better things
To come (Woah, yeah)

And when life
Gets tough
I feel I've had enough
I hold on to
A distant star
Uma das músicas de Duffy, minha febre!

14 dezembro 2008

Mestra




Na última sexta-feira vivi algo inédito (pra mim) e bem interessante. Foi a colação de grau dos alunos do curso de psicologia das FIP-MOC. Não cheguei a dar aulas pra essa turma, mas muitos deles foram meus estagiários na clínica-escola. Alguns são bastante especiais.

Na colação de grau os professores usaram beca, inclusive eu.

Foi interessante me perceber naquele momento como uma mestra, como alguém que estava ali para legitimar o processo de formação daqueles alunos, hoje colegas.

E então me remeto ao discurso de uma das colegas, que foi paraninfa da turma. Ela pontuava a questão dos rituais como pontos importantes da vida do sujeito, como marcos das transições de uma etapa para a outra. Posso dizer que essa colação foi também um ritual na minha vida, em que me estabeleço como professora, não mais como aluna.

Aiai... e quem falou que a gente deixa de descobrir coisas (e se descobrir) depois que cresce?

09 dezembro 2008

Opa!



Sem tempo! Final de semestre tem dessas coisas...
Espero poder vir aqui no fim de semana e postar algo bacana!
Não desapareçam! Eu vou tentar não desaparecer por detrás das provas e relatórios!!!

Ah! Alguém já encontrou as férias por aí? Elas estão fugindo de mim...