02 novembro 2009

Feriado



Filme romântico
Chuvinha lá fora
Resfriado
Carência
...
Paciência!

Imagem retirada deste blog, onde estava sem créditos...

14 outubro 2009

Check list


Por provocar risos infantis
E eliciar taquicardias adolescentes
Suscitar planos responsáveis
E memórias das mais diversas cadências

Por ter o peso ideal
A temperatura perfeita
O olhar mais eloquente
A mão mais terna
A voz mais doce

Por me trazer o sol
O som
O sabor
A fome
A paz

Por tudo isso, só me faltava o sim.
Agora, não mais...

04 outubro 2009

Ferreiro



Ela é terapeuta. Abre a porta e convida a moça para entrar. Ouve as queixas da moça, coloca-se em seu lugar, pontua aspectos que talvez a moça não percebesse até aquele momento. Aquelas queixas remetem a terapeuta às suas próprias queixas, e ela fica buscando uma maneira de separar o joio do trigo e de encontrar estratégias para ajudar a moça - e a si mesma também.
Agora é a mãe da moça que entra. Estão ali as três: a terapeuta, a mãe e a moça. Relações delicadas, longa história de dependência, abnegação e esquiva. Chovem cobranças, acusações, palavras tortas, como granizo em teto super sensível.
A terapeuta fica se perguntando como intervir, procura traduzir algumas palavras de maneira a auxiliar a comunicação e conclui que se trata de uma conversa de surdos - ou de indivíduos falantes de idiomas diferentes (e portanto funcionalmente surdos).
A situação fica tão tensa que a mãe se retira, como diria a moça, "como um porco-espinho".
A terapeuta consegue então visualizar a relação de maneira um pouco mais clara: são como os porcos-espinhos da fábula, que ora se machucam com a proximidade intensa, ora se afastam e morrem congelados e sozinhos.
Após se despedir da moça a terapeuta fica pensando que talvez esse seja seu caso mais difícil. Ela entende bem o pobre ferreiro que sempre é julgado por ter espetos de pau em sua própria casa...

Imagem retirada deste site onde também pode ser encontrada a fábula dos porcos-espinhos...

23 setembro 2009

A



Ela sente sua garganta se fechando, fisicamente.
Como num processo alérgico, um edema de glote puramente emocional.
Puramente, mas não simplesmente.
Percebe ter gritos entalados em sua garganta.
Há dias.
A cada dia são acumulados mais alguns gritos.
Gritos de "chega", de "pára", de "que chatice".
Mas prefere não gritar, pois são muitas coisas envolvidas.
Muitas pessoas envolvidas.
Começa a compreender Lennon e seus gritos em Mother.
Terapia do Grito Primal.
Há de chegar a hora...

Imagem: Flickr

14 setembro 2009

Xis!


Sorrir com os erros, com os acertos, com as piruetas e os desequilíbrios.
Sorrir de sem jeito.
Sorrir com o balanço, com a ginga, a leveza e a graça - do outro e, aos poucos, seus.
Sorrir com o novo, com o atrasado que, paradoxalmente, chega na hora exata.
Sorrir com a criança: aquela que nasceu há pouco e a que acordou agora - dentro de você.
Sorrir com a volta, com o resgate, com a retomada de si.
Coisa boa é sorrir!

Imagem: La FruU, no Flickr

07 setembro 2009

"Novo sofrimento"

Super pensativa.
Não vou escrever nada agora.
Preciso levar isso pra terapia primeiro...
Intervenções não têm hora nem lugar pra acontecer, não é? De repente: TUM! Já foi... Agora se vira até quinta-feira!
Imagem: Grande Baigneuse au livre, c.1937 by Pablo Picasso

02 setembro 2009

Prey


Está aberta a temporada de caça aos sinceros.
Corra!
Escolha uma bela máscara - a do sorriso costuma afastar os caçadores.
Fale o mínimo possível.
Escolha cuidadosamente suas palavras.
Seja político.
Se não conseguir mentir, ao menos omita.
Lembre-se, é sua vida que está em risco!
Esconda suas fraquezas como quem esconde a prova do crime.
Esqueça o que são lágrimas.
Risque a ignorância do seu vocabulário.
Planeje cada passo.
Queime seu diário.
Assuma o posto que te deram, vista a beca.
E vá pela sombra.

Imagem: Flickr

28 agosto 2009

Eu, Lisa



Sempre fui bem diferente das meninas da minha idade. Não tinha turma. Não falava palavrão. Assistia a filmes-cabeça com meu pai. Gostava de assistir e discutir sobre futebol. Sabia - e usava - palavras muito rebuscadas, eruditas ou antigas para uma menina (sempre, qualquer que fosse a minha idade). Entendia de política. Nunca soube jogar video-game. Achava meu irmão mais velho um bobo. Queria mudar o mundo.
É claro, acabei ganhando o apelido de Lisa Simpsom!
Pensando bem, acho que não foi tão ruim assim.
Minha irmã acabou de me contar que a Lisa também é vegetariana (embora eu não possa me considerar, de fato, vegetariana, pois ainda como peixe), e me mandou essa imagem, comprovando mais uma vez nossa semelhança. Eu gostei!

PS: Hoje sou um pouquinho menos estranha... :)

16 agosto 2009

Sacudida



Chega de lamentos, de não-consigos e de não-vai-dar-certos!
Levanta, dá o primeiro passo, ainda que sem força e em falso.
Anda, mesmo que trôpego. Lembra do cavalo, que antes de galopar é potro fraco, de pernas bambas. Mas ao nascer ele já anda.
Pára de esperar que a vida te leve. A vida não leva ninguém.
Toma as rédeas, enfrenta o medo, que existe e é legítimo.
Percebe que as amarras se soltam; é tua inércia que as mantém.
Enxerga de uma vez por todas que nada vem pronto, que é preciso arregaçar as mangas e construir.
A vida é tua, com tudo de penoso e de delicioso que há no "ter" algo. Apropria-te dela.
Movimenta teu corpo e tua cabeça e esquece a ideia de que os outros são responsáveis por tua felicidade.
Sai desse lugar.
Cansei de te mostrar as possibilidades e de ser alavanca ou suporte. Minha vida também me espera.
Estou seguindo, e deixo a culpa pra trás.
Faz o mesmo, se houver algo de sensatez em ti.

Imagem: Flickr

08 agosto 2009

Ausente



"Alô!
...
Tudo bem, e com você?
...
A poesia? Não, ela não está. Era só com ela que você queria falar?
...
Puxa, você não tá com muita sorte, pois a inspiração saiu também.
...
Não, não sei quando elas voltam. Pode ser a qualquer hora. A inspiração é tão imprevisível!
...
Sim, realmente é possível que elas voltem juntas.
...
Mas olha, o trabalho está aqui, não quer falar com ele?
...
Não tá sozinho não. A expectativa também está, trouxe até a ansiedade, aquela desagradável. Detesto quando o trabalho se envolve com essa aí! Fica um clima pesado, sabe?
...
Uai, fazer o que? Me acostumar com o trabalho e esperar essa ansiedade ir embora! Uma hora ela vai. Da expectativa eu até gosto, sabe? De vez em quando ela vem aqui e a casa fica cheia, movimentada!
...
A alegria passou por aqui, logo que ela soube que o trabalho viria, mas foi embora quando a ansiedade chegou.
...
É, menina, elas não se dão bem. Engraçado que a alegria gosta muito da expectativa, mas não se dá com a ansiedade.
...
Concordo com você!
...
Tudo bem, então! Eu dou seu recado pra poesia.
...
Eu também sinto falta dela, mas realmente com o trabalho em casa não sobra muito espaço pra ela; eles são monopolizadores, sabe?
...
Uma casa maior? Pode até ser. Mas acho que mais organização já ajuda!
...
Tudo bem! Apareça qualquer dia! Quem sabe se você vier a inspiração fica mais em casa?
...
Tá, vou esperar!
...
Outro! Tchau!"

Imagem: Flickr