28 maio 2010

O amor é uma flor roxa?


O amor se apresenta sob diversas formas, não é? Para além do amor erótico, é bem possível - e comum - experimentarmos amor em relações nas quais o que está em jogo é simplesmente o bem estar do outro.
Interessante como isso vem se apresentando para mim nos últimos dias: 
  • o amor que o cliente diz sentir por mim, muito provavelmente confundido com um sentimento de gratidão pela atenção e cuidado que dispensei a ele num momento de profunda dor; 
  • o amor imenso que sinto pelo Poeta, vivenciado agora na forma de desejos intensos de que ele seja muito feliz e se encontre enfim (o amor mais bonito que já senti, lembra?);
  • a felicidade ao ouvir da cliente que ela está conseguindo assumir o controle da própria vida, após anos de esquiva e torpor (a essa felicidade só posso dar o nome de amor).

Será que é esse o segredo dos meus olhos, o bem estar do outro? Isso me preenche tanto, me traz um sentido de realização e ao mesmo tempo de quero mais... Obviamente isso não é puramente altruísta, uma vez que me faz bem ver a felicidade do outro, a mudança rumo ao empoderamento.
Pensando...

29 abril 2010

O segredo dos meus olhos?


"Uma pessoa pode trocar de casa, de emprego, de cidade... mas não troca de paixão. As paixões são para sempre". É com esse raciocínio que Sandoval resolve o caso Morales, em O Segredo de Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, 2009).
E depois de ser descrita, por mim mesma e por outras pessoas, como uma pessoa apaixonada - persistentemente apaixonada - me pergunto: qual é a minha paixão? Essa que não muda, que permanece intocada, resistente às mais diversas (e adversas) contingências? O que brilha meus olhos e me revela a quem os olhe com maior atenção?
Confesso que ainda não encontrei a resposta. Mas seria interessante encontrar. Pode ser útil, na manutenção da caminhada pela vida afora.

Qual a sua paixão?

16 abril 2010

Na mesma tecla...


Mais uma morte pra me sacudir, gritando pra mim que a vida é curta, que fogo baixo e geladeira - interminavelmente - não compensam.
Ver meu tio seriamente doente chorando a morte do pai com quem vivia às turras fez soar o alarme de novo.
O que eu tenho feito com minhas relações?
Se eu perdesse algumas pessoas nesse momento eu estaria perdendo o que? Eu teria deixado de construir o que?

E você, o que tem feito com suas relações?

27 março 2010

E por falar em nascer de novo...


"Medo de morrer na praia? Pelo que vejo você está morta há um ano. Parar de nadar nesta direção pode ser sua ressurreição."
Pensando...

Imagem retirada deste site

13 março 2010

Aparar as sobras

Na gangorra daquela vida exaustiva de eventos mutuamente excludentes - "não por natureza, mas por circunstância", pensa rapidamente, antes que a primeira possibilidade lhe parecesse verdade - Dora passara da completa imersão no íntimo para a dedicação irrestrita ao ofício.
"Tudo que é demais é sobra". Conseguia lembrar-se nitidamente da voz da bisavó repetindo ao pé do ouvido a frase a cada vez que era surpreendida pegando mais um sequilho do tabuleiro recém-saído do forno. Estava agora exagerando nos "sequilhos" mais uma vez.
Dora está atenta. Vem buscando aquele famoso caminho do meio, no qual algumas coisas se perdem, mas quase todas se mantêm com alguma serenidade. Nada é garantido, e isso a assusta, admite. Mas se aprendeu alguma coisa com os caminhos tortos, certamente foi a habilidade de enfrentar, de se jogar, de arriscar sair derrotada, mas principalmente de arriscar vencer.

27 dezembro 2009

Para 2010




Você já sabe o que quer - e o que não quer - no próximo ano?


Neste ano que se inicia quero, cada vez mais:
- manter o que é bom pra mim e para os outros;
- aprender com as adversidades;
- tirar da minha vida o que não me ajuda a ser melhor.


Quero mais leveza, paz, sorriso, satisfação.
Quero menos alívio, saudade, frustração.
Quero teto, calor, chão.


Ampliar meus horizontes, me permitir viver de fato.
A vida é curta, 2009 me ensinou.
2010 não me escapa!


Desejo que você assuma o controle de sua vida em 2010. Pegue-a com as mãos, avidamente. Conduza-se pelos caminhos que deseja e que te fazem bem. Faça isso pleno da paz que é própria de quem faz o que é necessário, justo e bom.


Feliz 2010!


Imagem: A paz - Pablo Picasso (1952)

22 dezembro 2009

(Auto) aquecimento global



Seus sentimentos estão inconstantes como o clima desse dezembro estranho. Viram-se do sol radiante à mais terrível tempestade com a velocidade de um pensamento.
Ao fundo, a brisa fria, imprópria para a época, soprando persistente. Às vezes consegue se proteger com presentes ilusórios, ou fechando as janelas para o futuro incerto.
Entretanto percebe que não há muito o que fazer.
Precisa apenas saber ao certo que chão escolherá para si, e que caminhos deve recusar.

Imagem: A ventania - Anita Malfatti (1917)

10 dezembro 2009

Com a vassoura atrás da porta

Melancolia, que surpresa desagradável... Você sumiu há tanto tempo que já não esperava que voltasse. Não seja deselegante: perceba logo que não é bem vinda, dê uma desculpa qualquer e saia de fininho.
E faça a gentileza de não voltar!
Obrigada!


Havia colocado uma imagem belíssima para ilustrar o post. Mas a pedido da autora (muito gentil, por sinal), essa imagem está sendo retirada. Respeito aos direitos autorais é super importante!

05 dezembro 2009

Agindo (?)




Um nascimento desejado,
Uma morte inesperada.
Numa semana de começos e finais,
Pensar no processo da própria vida é natural.
Para onde estamos indo?
Quando chegaremos?
Como estamos caminhando?
Estaremos mesmo avançando?
Ou será que apenas andamos em círculos,
Perdidos em nossos receios?


Nesse momento, o ímpeto é de seguir.
Fazer malas, montar casa.
Fazer uma encomenda especial.
A vida está seguindo para alguns -
Nem sempre de um jeito fácil, é certo.
Mas segue.
E nós?
E agora?


"Enquanto adiamos, a vida se vai." Sêneca - Da economia do tempo


(Filme propício: Sociedade dos Poetas Mortos)


Imagem: André Teixeira, no Flickr.

25 novembro 2009

Fim de semestre...

Dizem (meus pensares desarrazoados de exaustão) que esse poema Adélia Prado escreveu ao final de um semestre letivo...

Exausto

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

(em Bagagem, 2009. Ed. Record)