
Ontem fui ao salão, fazer minhas unhas. Estava precisando, depois de algumas semanas (quatro?) de cutículas grandes, unhas quebradas e restos de um esmalte propositalmente claro. Do meu pé eu não vou nem comentar, coitado...
Uma mulher vai ao salão por diversas razões: para se preparar para algum evento onde cara-de-todo-dia não combina, para se sobressair diante daquela colega deslumbrante e insuportável, para ser notada por outras pessoas, para encontrar com a amiga (no salão), para contar suas últimas aventuras (e desventuras) à manicure, cabelereira, recepcionista, "terapeuta"...
Uma visita ao salão funciona também como uma oficina, onde "a máquina" é levada para passar por alguns "reparos" necessários para o prosseguimento da viagem. Reparos na aparência e na auto-estima. Funciona como um auto-carinho, um cuidado para com alguém que, afinal de contas, você ama (ou deveria amar).
E então ontem, cercada de manicure e pedicure (homens, vocês não imaginam o quanto isso é bom!), olhei para frente e me vi refletida no espelho:
Cabelos presos num coque baixo despretensioso - tentativa de refrescar-me do calor atípico do inverno mineiro;
Meus pequenos brincos de borboleta, quase sempre comigo, fazendo companhia às pequeninas pedras de zircônia na tarefa (esta bem fácil) de embelezar minhas orelhas;
Camisa branca com alguns fru-frus;
Rímel leve nos olhos - agora sempre presente para espantar um pouco o aspecto freqüentemente cansado, fruto do trabalho intenso dos últimos meses;
Sobrancelhas alinhadas pelo rímel transparente, previamente arrumadas por mim mesma;
Bochechas naturalmente coradas por conta da breve caminhada sob o sol de meio-dia;
Boca nua.
E então me percebi bonita.
Isso pode parecer arrogante, metido, antipático, pouco modesto. Mas enxergar minha própria beleza foi um gesto importante para mim, pela minha história, pelo meu momento atual, pelas inúmeras comparações às quais me submeti e me submeteram, pela minha briga freqüente com meu espelho desde que me entendo por gente, pelos elogios que já ouvi e recusei por não acreditar neles.
Não que eu considere a beleza fundamental. Fui inclusive aprendendo a não considerá-la assim, para não me frustrar ainda mais. Mas confesso que ao me perceber bela começo a me ver um pouco mais completa, como se tivesse encontrado mais uma peça do quebra-cabeça.