22 Novembro 2009

Estímulo reforçador




Um exemplo de um dos motivos (talvez o mais forte) pelos quais eu continuo dando aulas, a despeito da falta de atenção e interesse de alguns, da dor nas pernas, da dor na garganta, do trabalho chato que é corrigir provas, trabalhos, relatórios, lançar diários de classe...


Ei, Vívian!
Como vc tá??
saudades de vc...
E o trabalho aí? Como que tá?
Esses dias eu fui num seminário sobre crianças autistas, (...) aí eu lembrei de vc, pq a maior parte das coisas que ela [palestrante] disse vc tinha explicado pra gente, e percebi o qto eu sabia sobre o assunto que ela abordava.
Lembra: modelagem, extinção de comportamentos, estímulo reforçador (o melhor de todos) ... Nossa tanta coisa... Era pra ter te mandado um e-mail antes para poder te agradecer do seu modo de dar aula... Sei lá, fiquei impressionada de saber que eu tinha conteúdo... rsrs... vc é uma professora maravilhosa e faz muita falta... Que Deus te abençoe e te ilumine sempre, para ser cada vez mais essa profissional maravilhosa que vc é!
beeijoos,
[ex-aluna]
Que ninguém me entenda mal... mas é que é muito bom receber mensagens como essa (recebo algumas de tempos em tempos - obrigada queridos!) ... precisava tornar o reforço mais visível (pra mim mesma). 


Imagem: retirada deste site

02 Novembro 2009

Feriado



Filme romântico
Chuvinha lá fora
Resfriado
Carência
...
Paciência!

Imagem retirada deste blog, onde estava sem créditos...

14 Outubro 2009

Check list


Por provocar risos infantis
E eliciar taquicardias adolescentes
Suscitar planos responsáveis
E memórias das mais diversas cadências

Por ter o peso ideal
A temperatura perfeita
O olhar mais eloquente
A mão mais terna
A voz mais doce

Por me trazer o sol
O som
O sabor
A fome
A paz

Por tudo isso, só me faltava o sim.
Agora, não mais...

04 Outubro 2009

Ferreiro



Ela é terapeuta. Abre a porta e convida a moça para entrar. Ouve as queixas da moça, coloca-se em seu lugar, pontua aspectos que talvez a moça não percebesse até aquele momento. Aquelas queixas remetem a terapeuta às suas próprias queixas, e ela fica buscando uma maneira de separar o joio do trigo e de encontrar estratégias para ajudar a moça - e a si mesma também.
Agora é a mãe da moça que entra. Estão ali as três: a terapeuta, a mãe e a moça. Relações delicadas, longa história de dependência, abnegação e esquiva. Chovem cobranças, acusações, palavras tortas, como granizo em teto super sensível.
A terapeuta fica se perguntando como intervir, procura traduzir algumas palavras de maneira a auxiliar a comunicação e conclui que se trata de uma conversa de surdos - ou de indivíduos falantes de idiomas diferentes (e portanto funcionalmente surdos).
A situação fica tão tensa que a mãe se retira, como diria a moça, "como um porco-espinho".
A terapeuta consegue então visualizar a relação de maneira um pouco mais clara: são como os porcos-espinhos da fábula, que ora se machucam com a proximidade intensa, ora se afastam e morrem congelados e sozinhos.
Após se despedir da moça a terapeuta fica pensando que talvez esse seja seu caso mais difícil. Ela entende bem o pobre ferreiro que sempre é julgado por ter espetos de pau em sua própria casa...

Imagem retirada deste site onde também pode ser encontrada a fábula dos porcos-espinhos...

23 Setembro 2009

A



Ela sente sua garganta se fechando, fisicamente.
Como num processo alérgico, um edema de glote puramente emocional.
Puramente, mas não simplesmente.
Percebe ter gritos entalados em sua garganta.
Há dias.
A cada dia são acumulados mais alguns gritos.
Gritos de "chega", de "pára", de "que chatice".
Mas prefere não gritar, pois são muitas coisas envolvidas.
Muitas pessoas envolvidas.
Começa a compreender Lennon e seus gritos em Mother.
Terapia do Grito Primal.
Há de chegar a hora...

Imagem: Flickr

14 Setembro 2009

Xis!


Sorrir com os erros, com os acertos, com as piruetas e os desequilíbrios.
Sorrir de sem jeito.
Sorrir com o balanço, com a ginga, a leveza e a graça - do outro e, aos poucos, seus.
Sorrir com o novo, com o atrasado que, paradoxalmente, chega na hora exata.
Sorrir com a criança: aquela que nasceu há pouco e a que acordou agora - dentro de você.
Sorrir com a volta, com o resgate, com a retomada de si.
Coisa boa é sorrir!

Imagem: La FruU, no Flickr

07 Setembro 2009

"Novo sofrimento"

Super pensativa.
Não vou escrever nada agora.
Preciso levar isso pra terapia primeiro...
Intervenções não têm hora nem lugar pra acontecer, não é? De repente: TUM! Já foi... Agora se vira até quinta-feira!
Imagem: Grande Baigneuse au livre, c.1937 by Pablo Picasso

02 Setembro 2009

Prey


Está aberta a temporada de caça aos sinceros.
Corra!
Escolha uma bela máscara - a do sorriso costuma afastar os caçadores.
Fale o mínimo possível.
Escolha cuidadosamente suas palavras.
Seja político.
Se não conseguir mentir, ao menos omita.
Lembre-se, é sua vida que está em risco!
Esconda suas fraquezas como quem esconde a prova do crime.
Esqueça o que são lágrimas.
Risque a ignorância do seu vocabulário.
Planeje cada passo.
Queime seu diário.
Assuma o posto que te deram, vista a beca.
E vá pela sombra.

Imagem: Flickr

28 Agosto 2009

Eu, Lisa



Sempre fui bem diferente das meninas da minha idade. Não tinha turma. Não falava palavrão. Assistia a filmes-cabeça com meu pai. Gostava de assistir e discutir sobre futebol. Sabia - e usava - palavras muito rebuscadas, eruditas ou antigas para uma menina (sempre, qualquer que fosse a minha idade). Entendia de política. Nunca soube jogar video-game. Achava meu irmão mais velho um bobo. Queria mudar o mundo.
É claro, acabei ganhando o apelido de Lisa Simpsom!
Pensando bem, acho que não foi tão ruim assim.
Minha irmã acabou de me contar que a Lisa também é vegetariana (embora eu não possa me considerar, de fato, vegetariana, pois ainda como peixe), e me mandou essa imagem, comprovando mais uma vez nossa semelhança. Eu gostei!

PS: Hoje sou um pouquinho menos estranha... :)

16 Agosto 2009

Sacudida



Chega de lamentos, de não-consigos e de não-vai-dar-certos!
Levanta, dá o primeiro passo, ainda que sem força e em falso.
Anda, mesmo que trôpego. Lembra do cavalo, que antes de galopar é potro fraco, de pernas bambas. Mas ao nascer ele já anda.
Pára de esperar que a vida te leve. A vida não leva ninguém.
Toma as rédeas, enfrenta o medo, que existe e é legítimo.
Percebe que as amarras se soltam; é tua inércia que as mantém.
Enxerga de uma vez por todas que nada vem pronto, que é preciso arregaçar as mangas e construir.
A vida é tua, com tudo de penoso e de delicioso que há no "ter" algo. Apropria-te dela.
Movimenta teu corpo e tua cabeça e esquece a ideia de que os outros são responsáveis por tua felicidade.
Sai desse lugar.
Cansei de te mostrar as possibilidades e de ser alavanca ou suporte. Minha vida também me espera.
Estou seguindo, e deixo a culpa pra trás.
Faz o mesmo, se houver algo de sensatez em ti.

Imagem: Flickr