27 dezembro 2009

Para 2010




Você já sabe o que quer - e o que não quer - no próximo ano?


Neste ano que se inicia quero, cada vez mais:
- manter o que é bom pra mim e para os outros;
- aprender com as adversidades;
- tirar da minha vida o que não me ajuda a ser melhor.


Quero mais leveza, paz, sorriso, satisfação.
Quero menos alívio, saudade, frustração.
Quero teto, calor, chão.


Ampliar meus horizontes, me permitir viver de fato.
A vida é curta, 2009 me ensinou.
2010 não me escapa!


Desejo que você assuma o controle de sua vida em 2010. Pegue-a com as mãos, avidamente. Conduza-se pelos caminhos que deseja e que te fazem bem. Faça isso pleno da paz que é própria de quem faz o que é necessário, justo e bom.


Feliz 2010!


Imagem: A paz - Pablo Picasso (1952)

22 dezembro 2009

(Auto) aquecimento global



Seus sentimentos estão inconstantes como o clima desse dezembro estranho. Viram-se do sol radiante à mais terrível tempestade com a velocidade de um pensamento.
Ao fundo, a brisa fria, imprópria para a época, soprando persistente. Às vezes consegue se proteger com presentes ilusórios, ou fechando as janelas para o futuro incerto.
Entretanto percebe que não há muito o que fazer.
Precisa apenas saber ao certo que chão escolherá para si, e que caminhos deve recusar.

Imagem: A ventania - Anita Malfatti (1917)

10 dezembro 2009

Com a vassoura atrás da porta

Melancolia, que surpresa desagradável... Você sumiu há tanto tempo que já não esperava que voltasse. Não seja deselegante: perceba logo que não é bem vinda, dê uma desculpa qualquer e saia de fininho.
E faça a gentileza de não voltar!
Obrigada!


Havia colocado uma imagem belíssima para ilustrar o post. Mas a pedido da autora (muito gentil, por sinal), essa imagem está sendo retirada. Respeito aos direitos autorais é super importante!

05 dezembro 2009

Agindo (?)




Um nascimento desejado,
Uma morte inesperada.
Numa semana de começos e finais,
Pensar no processo da própria vida é natural.
Para onde estamos indo?
Quando chegaremos?
Como estamos caminhando?
Estaremos mesmo avançando?
Ou será que apenas andamos em círculos,
Perdidos em nossos receios?


Nesse momento, o ímpeto é de seguir.
Fazer malas, montar casa.
Fazer uma encomenda especial.
A vida está seguindo para alguns -
Nem sempre de um jeito fácil, é certo.
Mas segue.
E nós?
E agora?


"Enquanto adiamos, a vida se vai." Sêneca - Da economia do tempo


(Filme propício: Sociedade dos Poetas Mortos)


Imagem: André Teixeira, no Flickr.

25 novembro 2009

Fim de semestre...

Dizem (meus pensares desarrazoados de exaustão) que esse poema Adélia Prado escreveu ao final de um semestre letivo...

Exausto

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

(em Bagagem, 2009. Ed. Record)

22 novembro 2009

Estímulo reforçador




Um exemplo de um dos motivos (talvez o mais forte) pelos quais eu continuo dando aulas, a despeito da falta de atenção e interesse de alguns, da dor nas pernas, da dor na garganta, do trabalho chato que é corrigir provas, trabalhos, relatórios, lançar diários de classe...


Ei, Vívian!
Como vc tá??
saudades de vc...
E o trabalho aí? Como que tá?
Esses dias eu fui num seminário sobre crianças autistas, (...) aí eu lembrei de vc, pq a maior parte das coisas que ela [palestrante] disse vc tinha explicado pra gente, e percebi o qto eu sabia sobre o assunto que ela abordava.
Lembra: modelagem, extinção de comportamentos, estímulo reforçador (o melhor de todos) ... Nossa tanta coisa... Era pra ter te mandado um e-mail antes para poder te agradecer do seu modo de dar aula... Sei lá, fiquei impressionada de saber que eu tinha conteúdo... rsrs... vc é uma professora maravilhosa e faz muita falta... Que Deus te abençoe e te ilumine sempre, para ser cada vez mais essa profissional maravilhosa que vc é!
beeijoos,
[ex-aluna]
Que ninguém me entenda mal... mas é que é muito bom receber mensagens como essa (recebo algumas de tempos em tempos - obrigada queridos!) ... precisava tornar o reforço mais visível (pra mim mesma). 


Imagem: retirada deste site

02 novembro 2009

Feriado



Filme romântico
Chuvinha lá fora
Resfriado
Carência
...
Paciência!

Imagem retirada deste blog, onde estava sem créditos...

14 outubro 2009

Check list


Por provocar risos infantis
E eliciar taquicardias adolescentes
Suscitar planos responsáveis
E memórias das mais diversas cadências

Por ter o peso ideal
A temperatura perfeita
O olhar mais eloquente
A mão mais terna
A voz mais doce

Por me trazer o sol
O som
O sabor
A fome
A paz

Por tudo isso, só me faltava o sim.
Agora, não mais...

04 outubro 2009

Ferreiro



Ela é terapeuta. Abre a porta e convida a moça para entrar. Ouve as queixas da moça, coloca-se em seu lugar, pontua aspectos que talvez a moça não percebesse até aquele momento. Aquelas queixas remetem a terapeuta às suas próprias queixas, e ela fica buscando uma maneira de separar o joio do trigo e de encontrar estratégias para ajudar a moça - e a si mesma também.
Agora é a mãe da moça que entra. Estão ali as três: a terapeuta, a mãe e a moça. Relações delicadas, longa história de dependência, abnegação e esquiva. Chovem cobranças, acusações, palavras tortas, como granizo em teto super sensível.
A terapeuta fica se perguntando como intervir, procura traduzir algumas palavras de maneira a auxiliar a comunicação e conclui que se trata de uma conversa de surdos - ou de indivíduos falantes de idiomas diferentes (e portanto funcionalmente surdos).
A situação fica tão tensa que a mãe se retira, como diria a moça, "como um porco-espinho".
A terapeuta consegue então visualizar a relação de maneira um pouco mais clara: são como os porcos-espinhos da fábula, que ora se machucam com a proximidade intensa, ora se afastam e morrem congelados e sozinhos.
Após se despedir da moça a terapeuta fica pensando que talvez esse seja seu caso mais difícil. Ela entende bem o pobre ferreiro que sempre é julgado por ter espetos de pau em sua própria casa...

Imagem retirada deste site onde também pode ser encontrada a fábula dos porcos-espinhos...

23 setembro 2009

A



Ela sente sua garganta se fechando, fisicamente.
Como num processo alérgico, um edema de glote puramente emocional.
Puramente, mas não simplesmente.
Percebe ter gritos entalados em sua garganta.
Há dias.
A cada dia são acumulados mais alguns gritos.
Gritos de "chega", de "pára", de "que chatice".
Mas prefere não gritar, pois são muitas coisas envolvidas.
Muitas pessoas envolvidas.
Começa a compreender Lennon e seus gritos em Mother.
Terapia do Grito Primal.
Há de chegar a hora...

Imagem: Flickr