27 novembro 2010

La mia lettera a Julieta

1932 – La Lecture (Woman Reading). Imagem retirada daqui.

Querida Julieta,
Vivi tudo o que era possível nas condições que tinha: fui em busca do meu amor enquanto ele era apenas uma possibilidade, lutei por ele quando era uma certeza e abri mão quando ele passou a exigir de mim forças que eu já não tinha. Não poderia jamais dizer "what if" - e se. Mas vira e mexe me pergunto: e se tivesse sido diferente? E se ele tivesse "cruzado oceanos" por mim, por nossa história? E se no lugar do silêncio eu tivesse hoje o som de seus acordes?
Sei que nunca vou saber a resposta, Julieta. Me ajude a assumir o não-sabido!
Obrigada...
V.

06 novembro 2010

Bolos, borboletas e outras alegrias

Imagem retirada deste blog


A Vanessa da Mata acabou de lançar um novo cd intitulado Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias. Fui colocar o título do post igual ao do cd e olha o que saiu: Bolos, borboletas e outras alegrias. História de reforçamento é uma coisa linda mesmo!
Bem, a revista TPM está sorteando um cd da Vanessa da Mata para a melhor resposta à pergunta: "Qual a sua maior alegria e por quê?" Eu respondi à pergunta, e resolvi postar aqui também:
Minha maior alegria é constatar que estar comigo mesma pode ser uma grande experiência, e que ainda assim isso não me faz querer estar distante dos outros. É descobrir que a minha paz está bem aqui, comigo, agora.
E aí eu fiquei doida pra saber qual é a maior alegria de cada um de vocês, amigos-leitores. Qual é? Soprem!

13 outubro 2010

Beija-flor

Imagem: Richard Dumoulin @Flickr

Diariamente ele vem
Meio afoito
Pronto para dar beijos sem fim
É lindo!
Chego a ajeitar os cabelos, umedecer os lábios.

Mas a decepção é dupla:
Não sou flor
Não é homem.

Voltemos à realidade...

12 setembro 2010

Autoperguntas

Imagem do SXC



E a pergunta que não quer calar é: por que tudo tem de ser tão pesado? Ou talvez, recolocada: tudo tem de ser tão pesado?
Dentre as alternativas, também dúvida: aceitação ou questionamento? O que tornaria as coisas mais leves?
A resposta está aqui ou lá? Por que a busca é sempre lá, e quase nunca aqui?

29 agosto 2010

A vida secreta das palavras

La Vida Secreta de las Palabras. Isabel Coixet, Espanha (2005).

Estou encantada com a delicadeza com que a diretora de "A vida secreta das palavras" aborda temas tão fortes como o sofrimento de alguém que foi marcado - de diversas formas - pela guerra.
O filme é de uma beleza impressionante, não tanto pelas imagens, mas pelas relações estabelecidas entre os personagens e dos personagens com as próprias vidas. Difícil descrever - difícil colocar em palavras!
O interessante é que ontem eu havia dado uma aula sobre Estresse Pós-Traumático a uma turma de pós-graduação. É um tema tão pesado, tão delicado, e sinto que não conseguimos - nem eu nem os alunos, que pareciam cansados e impacientes para aquela aula de sábado à tarde terminar - entrar em contato com o sofrimento que envolve uma pessoa que passou por um evento traumático e que sofre com as revivências ao longo da vida. Um terapeuta que não consegue ter a dimensão do sofrimento de seu cliente não consegue ajudá-lo, por melhores que sejam suas técnicas. E foi isso que fizemos ontem: exposição de técnicas.
Vim pela estrada com esse incômodo, o de não ter tratado do tema com a sensibilidade que ele requer, e me deparo à noite com "A vida secreta das palavras", abrindo meus olhos e ouvidos, de novo, para o sofrimento e as estratégias dos personagens para lidar com ele.
Excelente filme para refletir e discutir sobre trauma, esquiva experiencial, a importância da fala, de vínculos. Excelente filme para se aproximar do sofrimento do outro.
Comentários interessantes sobre o filme neste site.
Vale notar que a diretora Isabel Coixet foi também quem dirigiu "Minha vida sem mim" (2003), lindíssimo, tão sofrido e belo quanto "A vida secreta..."

07 agosto 2010

Playing for (my) Change

Imagem encontrada por aí na web, sem referência.


Cansada de tantas coisas... A diferença é que agora não quero mais me conformar. Preciso de mudança. Já.


Mais imagens lindas no Flickr. Busque por "change". Todas com direitos reservados...

31 julho 2010

Não há sossego...




"Nas praças vindouras - talvez as mesmas que as nossas -
Que elixires serão apregoados?
Com rótulos diferentes, os mesmos do Egipto dos Faráos;
Com outros processos de os fazer comprar, os que já são nossos.


E as metafísicas perdidas nos cantos dos cafés de toda a parte,
As filosofias solitárias de tanta trapeira de falhado,
As ideias casuais de tanto casual, as intuições de tanto ninguém -
Um dia talvez, em fluido abstrato, e substância implausível,
Formem um Deus, e ocupem o mundo.
Mas a mim, hoje, a mim
Não há sossego de pensar nas propriedades das coisas,
Nos destinos que não desvendo,
Na minha própria metafísica que tenho porque penso e sinto.
Não há sossego,
E os grandes montes ao sol têm-no tão nitidamente!


Têm-no? Os montes ao sol não têm coisa nenhuma do espírito.
Não seriam montes, não estariam ao sol, se o tivessem.


O cansaço de pensar, indo até ao fundo de existir,
Faz-me velho desde antes de ontem com um frio até no corpo.


O que é feito dos propósitos perdidos, e dos sonhos impossíveis?
E porque é que há propósitos mortos e sonhos sem razão?
Nos dias de chuva lenta, contínua, monótona, uma,
Custa-me levantar-me da cadeira onde não dei por me ter sentado,
E o universo é absolutamente oco em torno de mim.


O tédio que chega a constituir nossos ossos encharcou-me o ser,
E a memória de qualquer coisa de que não me lembro esfria-me a alma.


Sem dúvida que as ilhas dos mares do sul têm possibilidades para o sonho,
E que os areais dos desertos todos compensam um pouco a imaginação;
Mas no meu coração sem mares nem desertos nem ilhas sinto eu,
Na minha alma vazia estou,
E narro-me prolixamente sem sentido, como se um parvo estivesse com febre.


Fúria fria do destino,
Intersecção de tudo,
Confusão das coisas com as suas causas e os seus efeitos,
Consequência de ter corpo e alma,
E o som da chuva chega até eu ser, e é escuro."


Álvaro de Campos - 03/02/1927


Imagem: Munch, retirada do Estado de São Paulo

05 julho 2010

Simple things



Voltar à infância andando de bicicleta com a melhor amiga na orla da Lagoa.
O sol entrando pela janela iluminando ainda mais o momento mágico.
Presentinho da aluna que me ensinou que a vida é muito mais do que a gente vê.
Fotos de bebês chegando por email.
kkk's e rsrs's
Sabores exóticos em família.
Relaxamento e saúde em doses homeopáticas.
Abraços sorridentes da avó mais fofa do mundo.
Cheirinho de Nina.
Férias entre amigos, num lugar novo.
Canjica.
Filme água-com-açúcar, cobertor...
Autocarinho.
Música boa tocando repetidas vezes.
Brilho nos olhos.
Explosão de cores.
Turismo na própria cidade.
Vida.


Imagem: Ipê roxo na Praça da Liberdade, BH. Por Vivi Marchezini

27 junho 2010



Fim de semana perfeito.
Nunca me arrependo de ser intensa, de mergulhar inteira nas situações.
Pode até doer depois, mas a sensação do agora é insuperável...
É tão premente minha necessidade de ser intensa que nem fotografias eu tiro: quero vivenciar tudo. Minhas fotografias são impressas na retina, na pele, na história. Slide show que prescinde equipamentos modernos.
E se a Gabi me perguntasse qual a frase que me guia, eu certamente diria: Carpe Diem!

Imagem: Flickr. Vale a pena ir lá ver, inclusive por conta da citação perfeita de Clarice Lispector.

22 junho 2010

Assim como ver o mar


Almoço sozinha com muita frequência. Nem sempre eu gosto - a solidão como companheira fixa não tem muita graça - e acabo prestando atenção nas conversas das mesas próximas para ter companhia. Aprendo muito!
Hoje ouvi numa mesa ao lado um rapaz comentando com os colegas sobre a escassez de momentos realmente felizes na vida que levamos atualmente. Ele dizia que alguns dos momentos de felicidade marcante em sua vida ocorreram na infância, apesar do dinheiro que ele tem hoje para desfrutar de muitas coisas aparentemente prazerosas, e citou, com brilho nos olhos e um belo sorriso nos lábios (sim, eu olhei pra ver com que carinha ele descrevia a situação), a primeira vez que viu o mar.
Comecei logo a vasculhar minhas memórias buscando momentos de felicidade intensa e marcante. Vou citar algumas aqui - a lista não é exaustiva, nem deve ser, já que vivi muitos momentos felizes e quero viver outros mais:

  • O momento em que soube da aprovação no exame de direção (melhor que passar no vestibular!)
  • Minha entrada, com meus colegas, no auditório do Sesi Minas, no dia de nossa cerimônia de colação de grau, ao som de Say a little prayer for you (nunca senti tanto frio na barriga, e nunca meus pelos se arrepiaram tanto!)
  • Meu baile de formatura (uma noite inteira de felicidade)
  • Quando deduzi que mamãe estava grávida e que teríamos um irmãozinho (o Gui)
  • Quando soube que seria tia da Clara (se o amor de tia foi imediato, imagine como será o de mãe?)
  • Indo de Maria Fumaça de São João Del Rey a Tiradentes e sentindo-me, enfim, em casa novamente, plena
Acho que outros momentos estiveram envolvidos também em medo, receio, ansiedade, alívio... por isso não quis colocar aqui.

Você consegue identificar um momento de felicidade intensa em sua vida?
Imagem: Arquivo pessoal. Agradecendo por momentos de felicidade.